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Governo muda discurso e d� prioridade ao crescimento

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Brasília - A retomada do crescimento econômico é a ênfase prioritária, a partir de agora, do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de tornar inequívoco o empenho do governo para aprovação das reformas previdenciária e tributária, o presidente Lula e seus ministros unificam o discurso de que estão criadas as condições para a reativação da economia de forma sustentada, gradual e responsável. As medidas nesta direção já foram adotadas, como o controle da inflação e queda gradual das taxas de juros, e o País poderá ingressar em um novo ciclo econômico já a partir do próximo ano com um crescimento de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativas extra-oficiais. ?As condições para a retomada do nível de atividade nos próximos meses já estão dadas?, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles a uma platéia de corretores sexta-feira (15) em São Paulo. A interlocutores mais próximos, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, tem dito que até o fim do ano as condições de infra-estrutura estarão melhores, pois o governo está decidido a investir no setor para dar início a novo ciclo econômico. Palocci também aposta na aprovação da reforma tributária, ainda que limitada à unificação do ICMS e à aprovação da nova CPMF, como mais um fator de estímulo à economia. Ele costuma descrever aos seus interlocutores que a questão da taxa de juros atingiu um platô e a lógica, agora, é de queda gradual com a retomada do desenvolvimento. O governo, para demonstrar o discurso unificado, já introduziu o ministro da Casa Civil, José Dirceu, no cenário econômico, promovendo uma entrevista coletiva com ele e Palocci juntos na sexta-feira. ?Todo o esforço que estamos fazendo é para criar as condições para novos investimentos?, definiu Dirceu. O ministro da Fazenda concorda com os estudos que indicam a possibilidade de crescimento de 4% no ano que vem. Segundo ele, as condições estão dadas porque o País respondeu às ameaças de descontrole da inflação. A política restritiva dos últimos sete meses surtiu o efeito esperado e, agora, o governo vai estimular a economia com uma série de medidas de crédito, já aprovadas pelo presidente Lula. Mas Palocci tem sido claro ao afirmar que será um crescimento gradual porque o governo pretende romper com a característica da economia brasileira de viver aos solavancos. O presidente Lula tem sido, propositadamente, mais ostensivo no respaldo a Palocci. No seu discurso de quinta-feira, o primeiro que fez à Nação desde a posse, ele fez questão de ressaltar o caráter gradual dos avanços do governo. ?Ou começamos a entender que para fazer as coisas direito, e bem-feitas, é preciso um pouco mais de tempo, ou o Brasil vai viver eternamente de improviso em improviso, de sobressalto em sobressalto?, disse o presidente.

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