Economia
Mais de 100 mil alagoanos est�o no SPC
FÁBIA ASSUMPÇÃO Chegar ao fim do mês e perceber que o dinheiro não vai ser suficiente para pagar todas as contas é um drama que afeta milhares de alagoanos. Para muita gente, viver sempre no ?vermelho? já virou uma rotina. Mas não é nada fácil administrar cheque especial, cartões de crédito estourados e muitas, muitas contas em atraso e até títulos protestados. Os órgãos de proteção ao crédito, a exemplo da Serasa, mostram que a inadimplência continua em alta no País. Há cerca de 23 milhões de inadimplentes no Brasil. Só em Alagoas, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) tem mais de 100 mil registros negativos. Levantamento feito pela Serasa revelou que o volume de cheques devolvidos por falta de fundos apresentou alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a pesquisa, nos sete primeiros meses de 2003 foram devolvidos em média 15,9 cheques de cada mil compensados, maior marca desde 1991, quando o índice foi criado. No acumulado do ano de 2002, o número de devoluções foi de 14,4 cheques a cada mil. Na comparação mensal (julho/2003 ? junho/2003), o volume de cheques sem fundos apresentou alta de 9,8%. No sétimo mês de 2003, foram devolvidos 16,8 cheques a cada mil compensados, enquanto junho registrou 15,3 cheques sem fundo a cada mil. Mas, pesquisa feita pela Serasa aponta também que foi recorde o número de pessoas físicas e jurídicas atendidas no Serviço Gratuito de Orientação ao Cidadão da instituição. E mostra, ainda, que no primeiro semestre de 2003 houve um crescimento recorde do número de regularizações de pendências de pessoas físicas e jurídicas, comparado o mesmo período de 2002. A economista Luciana Caetano afirma que o alto endividamento, principalmente da classe média, é reflexo não só da crise econômica financeira que afeta o País, mas principalmente da falta de hábito das pessoas de fazerem planejamento orçamentário. A ausência desse planejamento, segundo ela, dificulta a percepção da queda do poder aquisitivo. ?As pessoas vão gastando e não se dão conta de que estão gastando mais do que podem?. A economista afirma, ainda, que mesmo nos momentos de crise, muitas pessoas querem manter um padrão superior a sua condição orçamentária. Outro problema é que as pessoas costumam confundir crédito com renda efetiva. ?O ideal é sempre comprar à vista, compras a prazo só quando for inevitável?, orienta Luciana. ?Ao contrário do que pensam, o uso do crédito não aumenta a renda, mas reduz a renda disponível nos meses devido ao pagamento de juros correspondentes ao financiamento?. A mesma orientação é feita em relação ao cheque especial, cujo uso deve ser evitado ao máximo, pois os juros cobrados pelos bancos são altíssimos. A economista acrescenta que é sempre mais vantajoso comprar à vista do que a prazo, especialmente se o preço é o mesmo. ?Isso é uma armadilha?, define Luciana, acentuando que só haveria vantagem nas compras a prazo se as pessoas poupassem esse dinheiro para obter algum rendimento e tê-lo disponível no dia da amortização. Para evitar o endividamento, Luciana reforça a necessidade de se fazer um planejamento orçamentário, anotando todas as despesas mensais, desde a compra de pão até a prestação do carro ou aluguel, observando o saldo disponível e condicionando suas despesas a esse saldo. ?Usar o crédito, apenas em casos de absoluta necessidade. É sempre melhor comprar à vista?, relembra. Estabelecer um padrão compatível com a renda, deixando livre, pelo menos, 10% dessa renda. Fazer uma poupança a fim de se preparar para alguns imprevistos. Para quem tem renda variável, o ideal é poupar pelo menos 20%. Cortar gastos quando perceber que a renda está perdendo poder de compra. Para quem já está com a corda no pescoço por causa das dívidas, a solução apontada por Luciana é evitar o uso do cheque especial ou refinanciamento da dívida no cartão de crédito. Nestes casos, as taxas de juros são muito elevadas, variam entre 8,5% e 12% ao mês. O caminho mais aconselhável é optar por um empréstimo pessoal (crédito pessoal) para saldar essa dívida, onde a taxa de juros fica em torno de 5,5% ao mês, mais baixa que a do cheque especial e do cartão de crédito. Mas é fundamental cortar despesas. ?Neste estágio, o corte de despesas será maior do que antes de um endividamento porque, além da queda do poder de compra, a renda será comprometida com as mensalidades do empréstimo, acrescidas de taxa de juros.