Economia
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Detalhar os caminhos do desenvolvimento sustentável de Alagoas. Esse é o principal objetivo do III Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico, que tem início nesta segunda-feira, no Palácio do Comércio, em Jaraguá. Promovido pela Organização Arnon de Mello e Associação Comercial de Maceió, o evento chega a sua terceira edição com o mérito de ser o principal evento do Estado, trazendo os maiores nomes do cenário nacional na área da economia. A partir deste Fórum será possível traçar o diagnóstico dos determinantes de cada segmento da cadeia produtiva de Alagoas, além de identificar em que medida as empresas e a sociedade podem elaborar estratégias de ação para se conseguir o desenvolvimento. Turismo, Responsabilidade social, desenvolvimento econômico e cadeia produtiva são alguns dos temas que, durante dois dias, serão discutidos como alternativa para a retomada do desenvolvimento do Estado. Muito mais do que um espaço para discussões, o Fórum procura ser, simultaneamente, um exame de consciência e um desafio à mudança. Evento chega à terceira edição consolidado como o mais importante do setor econômico de Alagoas PATRÍCIA BARROS A realização do III Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico será marcada pelo apoio de grandes empresas e instituições, que se unem com um único objetivo: apontar ações que beneficiem todo o Estado. Para o presidente da Associação Comercial, Marco Fireman, o evento pretende também detalhar os caminhos do desenvolvimento sustentável de Alagoas, além de identificar em que medida as empresas e a sociedade podem elaborar estratégias de ação para se conseguir o desenvolvimento. O diretor-superintendente da Organização Arnon de Mello, Joaquim Pedro Collor de Mello, ressaltou que a meta é abrir discussões do mais alto nível, criando ações que possibilitem a geração de emprego e renda em toda Alagoas. De acordo com o diretor-superintendente do Sebrae/AL, Nilton Moreira Rodrigues, o III Fórum de Desenvolvimento Social e Econômico surge como uma oportunidade dos empresários, autoridades públicas, profissionais de diversas categorias e instituições representantivas discutirem e avaliarem os atuais níveis de desenvolvimento, os obstáculos, as ações empreendedoras e inovadoras, ?Será apresentada uma visão de futuro muito mais justa para o nosso povo?, completou Nilton Rodrigues. Com o tema ?Fundamentos para um novo contrato social?, o ministro Tarso Genro, secretário especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, fará a abertura do Fórum O evento tem o patrocínio da Ceal e Sebrae, apoio da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas, Grupo Maranhão, Grupo João Lyra, AMA, Esamc, TAM e Governo do Estado. O evento tem, ainda, o apoio institucional da Federação das Associações Comerciais do Estado de Alagoas e Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. Hora de desenvolver Luiz Otávio Gomes * Desenvolvimento, nos dias de hoje, se apresenta como um transformado numa esfinge: ou é decifrado ou devora quem o encara. Fugir não é solução, ser engolido não é pretensão; nos resta equacionar o problema e encontrar as incógnitas. Alagoas não pode mais ficar à margem do desenvolvimento, mesmo porque potenciais não nos faltam. Falta responder aos desafios dessa esfinge pós-moderna. Equacionando o desafio, creio existirem quatro incógnitas claras, a serem respondidas por quatro vetores básicos, que são caminhos principais para o desenvolvimento alagoano. Vamos a eles: Setor Sucroalcooleiro. Continua sendo estratégico para Alagoas e para o Brasil. A agroindústria sucroalcooleira alagoana é sinônimo de competência brasileira nesse segmento mundial. Alagoas, na virada do século XX para o século XXI, converteu-se no principal exportador brasileiro de tecnologia nessa área. Hoje, empresas alagoanas são as principais produtoras de açúcar e álcool no estado de Minas Gerais. Em Alagoas esse segmento precisa ser verticalizado, incentivado em sua marcha tecnológica, aumentando a produtividade e a produção em benefício da liberação de áreas rurais para outras culturas. Indústria Química de Terceira e Quarta Gerações. Com a utilização do enorme potencial das reservas de sal-gema e da operação da Braskem, podemos superar a perda indiscutível das empresas de segunda geração com indústrias de terceira e quarta gerações (a partir do PVC e da produção de bens derivados do PVC, do cloro e da soda cáustica). Essa opção beneficiaria principalmente pequenas e médias empresas químicas. Nesse caminho, primeiros passos já estão sendo dados graças a uma parceria entre o Governo do Estado e a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), que desenvolvem conjuntamente o APL (Arranjo Produtivo Local) da Indústria Química e de Plásticos. Se insistirmos nessa via, em breve teremos de 30 a 40 novas empresas químicas (de pequeno e médio) instaladas em Alagoas. Aqüicultura. Nada mais natural para um Estado como o nosso, abençoado pelas águas. A ênfase deve ser na piscicultura focada na região ribeirinha centrada em Penedo e Igreja Nova, que é considerada uma das melhores regiões do mundo por técnicos japoneses. Essa área é propícia também para a cultura de camarões de água doce. Não é necessário explicar o potencial alagoano nesse segmento, mas vale lembrar o sucesso de experiências nordestinas como a do Rio Grande do Norte, hoje o maior exportador brasileiro de camarão de água salgada e do Ceará, hoje maior exportador de lagosta. Turismo. Não é novidade como saída óbvia. Mas continua a requerer projetos estratégicos para transpor os limites do primitivo extrativismo centrado nas belas praias. Nesse caso, precisamos implementar o turismo de eventos, de negócios ? aliados à beleza natural e cultural, é evidente. Para entrarmos nesse disputado mercado precisamos ter ? em funcionamento ? uma moderna estação de passageiros no aeroporto Zumbi dos Palmares; um centro de eventos e exposições; e pelo menos três resorts-âncoras (um no Litoral Sul, um no Litoral Norte e um na beira da Lagoa Mundaú) devidamente equipados com a mais moderna tecnologia existente no mercado. Naturalmente, são condições sine qua non a permanente formação e capacitação de toda mão-de-obra vinculada a esse segmento. Aí sim, entraremos no privilegiado mundo dos negócios do turismo. Igualmente precisamos de uma malha viária impecável, onde se inclui como tarefa de extrema urgência a duplicação do trecho Maceió/Barra de São Miguel. Finalmente, creio que Alagoas está apta a enfrentar o desafio e disparar respostas à esfinge. Afinal, o Estado se beneficia de dois mandatos contínuos exercidos pelo mesmo governador, garantindo assim as condições de um planejamento sem interrupções. E desse período em curso (na segunda gestão Ronaldo Lessa) devemos destacar no primeiro mandato, o ajuste fiscal, onde foram priorizados e alcançados níveis aceitáveis de equilíbrio entre receita e despesa; e a construção de uma base ampla nos campos da saúde e da educação. Neste segundo mandato, definido pelo titular do Palácio Floriano Peixoto como um governo desenvolvimentista, estão dadas as condições básicas para avançarmos, respondermos e vencermos os desafios. * É PRESIDENTE DA CONFEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS E EMPRESARIAIS DO BRASIL ? CACB, E MEMBRO DO CONSELHO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.