Economia
Redu��o dos juros n�o anima setor varejista
São Paulo - O movimento de redução de juros por parte dos grandes bancos, a reboque da diminuição da alíquota do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista, de 60% para 45%, não foi suficiente para entusiasmar o varejo. Executivos do setor fazem questão de afirmar que o problema do cenário creditício no Brasil hoje não é a escassez de recursos, mas a falta de tomador de empréstimos. Para eles, antes da flexibilização do compulsório na semana passada, já havia no sistema financeiro uma liquidez da ordem de R$ 53 bilhões que, no entanto, não fora transformada em operações de crédito. ?Não adianta colocar recursos no mercado se não há tomadores. E não tem quem queira contrair financiamentos porque a taxa de juros continua ainda muito elevada?, explica o diretor-executivo da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Antônio Carlos Borges. Na visão de Borges, o compulsório ajuda, mas falta ainda o Banco Central reduzir mais a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 24,5% ao ano, e os bancos reduzirem o spread bancário. ?É preciso disponibilizar recursos para empréstimos, mas é preciso também que o custo destes recursos sejam reduzidos?, afirma o diretor da Fecomércio. ?Os bancos aproveitaram o marketing que o momento oferece para dizer que estão reduzindo juros?, provoca Borges. Os bancos que saíram na frente no movimento de redução dos juros foram Bradesco, Itaú e Unibanco, entre as instituições privadas. Os oficiais que cortaram juros nas suas linhas de financiamentos para pessoas físicas e jurídicas foram Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Nossa Caixa. Esmola Para o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop), entidade que representa os shopping centers, Nabil Sahyoun, a diminuição nas taxas de juros destas instituições, como fator de estímulo ao consumo, é insignificante. ?Acho que a redução de juros não é impactante se analisarmos que o nível das taxas está ainda exorbitante para uma inflação de um dígito?, diz o presidente da Alshop. ?É como se o lojista desse ao consumidor um desconto de 0,30% numa compra. O consumidor não quer esmola?, reforça Sahyoun.