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Nova Lei

AUMENTO DE ALÍQUOTA FAZ PERDAS SALARIAIS CHEGAREM A 14,39%

Na prática, elevação na taxa representa redução salarial, tendo em vista que há anos nenhum ganho real é concedido pelo governo

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Servidores públicos alagoanos acompanham votação da Reforma da Previdência na Assembleia Legislativa de Alagoas
Servidores públicos alagoanos acompanham votação da Reforma da Previdência na Assembleia Legislativa de Alagoas -

Os 3% de aumento na alíquota da previdência de Alagoas se somam aos 11,39% de perdas salariais acumuladas pelos servidores do Estado desde o início da gestão do governador Renan Filho (MDB), em 2015. Portanto, os funcionários públicos do Estado começam o ano com perdas atualizadas na casa de 14,39% e com a certeza de que só pode piorar, porque o governo já anunciou que o reajuste salarial no ano vindouro é zero. A elevação na taxa da Previdência representa, na prática, redução salarial, tendo em vista que há anos nenhum ganho é concedido pelo governo aos servidores. Um trabalhador que recebe salário mínimo, por exemplo, tem desconto de R$ 109,78. Com a reforma, o valor salta para R$ 139,72, ou seja, R$ 29,94 a mais de perda. Segundo a economista Luciana Caetano, jogar sobre o governo federal a responsabilidade da Reforma Previdenciária, como tem feito muitos governadores, é um discurso insustentável. “Os estados e municípios são autônomos e estarão cometendo o mesmo erro se seguirem o modelo da Reforma Previdenciária aprovada pelo Congresso Nacional”, afirma. Ela ressalta que no Estado de Alagoas, a expectativa de vida é de 66 anos para homens e a reforma prevê aposentadoria aos 65 anos para eles. “Vale ressaltar que a expectativa é menor entre os indivíduos de baixa renda. Vale uma pergunta: os que estão votando recebem quanto mesmo? Fazem parte de 0,61% com renda acima de dez salários mínimos. Isso é justo? Não. Isso não é justo e ainda é imoral. Seria justo deixar a população sacrificada votar sobre os vencimentos do governador e dos nobres parlamentares”, reflete. Acerca da Reforma da Previdência de Alagoas, Luciana opina que “qualquer esforço sobre os ombros dessa população vilipendiada pelas desigualdades regionais e sociais, soa como desumano”. Segundo ela, isso se agrava se levarmos em consideração que o Estado apresenta taxas elevadas de analfabetismo,mortalidade infantil,de pessoas abaixo da linha da pobreza e números desfavoráveis de expectativa de vida. Ela termina ponderando que os interesses do Estado e dos servidores públicos deviam ser os mesmos. “O problema está na escolha que a sociedade faz de seus representantes. Essa reflexão precisa ser feita. Cada indivíduo que coloca seu nome no pleito eleitoral assume compromissos. É preciso se perguntar com quem estão pactuados. Historicamente, temos repetido o mesmo modelo, votando em quem não representa a classe trabalhadora, particularmente a de baixa renda que representa mais de 80% da população ocupada do Estado”. De acordo com Luciana, as pessoas se deslumbram com campanhas eleitorais caras como se isso assegurasse competência de gestão ou compromisso para com os que dependem do Estado. “Esse é o resultado, um governo cujas decisões não estão alinhadas com essa classe trabalhadora. É preciso que essa reflexão seja feita porque em 2020 e em 2022 teremos novas eleições”, alerta.

* Sob supervisão da editoria de Economia.

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