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“Consumidor pagar� a conta da reforma tribut�ria”

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FÁTIMA ALMEIDA Nem mesmo esfriou a avalanche de protestos provocada pela reforma da Previdência e ainda sentindo o gosto desagradável de ser o alvo, pela primeira vez, da revolta dos servidores que pararam os serviços públicos do País, o governo Lula já entrou em um novo campo minado que pode gerar explosões generalizadas a qualquer momento. Por enquanto, empresários, governadores, secretários de Estado e prefeitos dos cinco mil municípios brasileiros travam uma batalha de bastidores, no campo da reforma tributária. Mas a expectativa é de que os interesses e a amplitude do elenco envolvidos possam resultar numa luta maior do que a que está por terminar, sobretudo quando produtores e consumidores se derem conta de que, provavelmente, serão os únicos a pagar a conta da reforma tributária. ?Trata-se de uma reforma onde todo mundo quer dinheiro: a União, os estados e os municípios, cada um discute como aumentar a sua arrecadação por meio dos tributos. Do outro lado, está o setor produtivo que quer reduzir a carga tributária, e o próprio consumidor, que não demora a perceber que parte dessa conta vai para ele?, observa o advogado tributarista Paulo Nicholas. Na opinião do secretário-adjunto da Receita Estadual de Alagoas, Evandro Lobo, a guerra ainda vai começar e será maior do que a já enfrentada pelo governo, até agora, na reforma da Previdência, porque é uma luta de titãs. ?Até agora, o governo enfrentou a grande quantidade de servidores, mas tinha os governadores e os prefeitos também interessados na reforma. Agora é diferente e a pressão vai aumentar, com um elenco menor em quantidade, porém, maior em diversidade de interesses: a União vai defender os seus interesses, que em alguns casos vão se contrapor aos dos estados e dos municípios. Com isso, o governo pode não contar com uma bancada de apoio tão consistente, porque os parlamentares estarão também de olho nos interesses de suas regiões?, observa. Isso sem contar com a pressão de empresários e demais componentes do setor produtivo, interessados em reduzir a carga tributária. O movimento já é intenso nos bastidores de Brasília. Afinal, muita coisa está em jogo, e para todos os agentes do processo (governo, produtores, comerciantes...) o mais importante é garantir a sobrevivência numa cadeia onde todos têm uma relação de dependência entre si.

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