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Balanço

DEPENDÊNCIA FEDERAL E DESEMPREGO MARCARAM 2019 EM AL

Economista estima que o desempenho da economia de Alagoas continuará ligado aos resultados nacionais

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Alagoas encerrou terceiro trimestre deste ano com uma taxa de desemprego de 15,4%, maior do que a média nacional
Alagoas encerrou terceiro trimestre deste ano com uma taxa de desemprego de 15,4%, maior do que a média nacional -

Desemprego acima da média, dependência federal e falta de investimentos marcaram a economia alagoana em 2019. A avaliação é do economista Cícero Péricles, que estima ainda que para 2020 o desempenho da economia de Alagoas continuará ligado aos resultados nacionais. Péricles pontua que em 2019, como nos cinco anos anteriores, o desemprego continuou sendo um dos principais problemas econômicos. Ele ressalta que a taxa de desemprego de Alagoas de 15,4% é mais alta que a nacional e a nordestina. São quase 200 mil pessoas que não conseguem trabalho. “Temos outros problemas neste setor. No Estado, as pessoas ocupadas formam um conjunto de um milhão de pessoas, destas setecentos mil são empregados, sendo que 270 mil não têm carteira. Os outros 300 mil são trabalhadores por conta própria, os autônomos, e apenas 10% de têm Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). Claro que, por esta situação precária, estas pessoas têm a renda afetada”, alerta. Cícero Péricles lembra que o mercado de trabalho, que alcançou 514 mil formalizados em 2014, em vez de seguir crescendo recuou para 480 mil assalariados com contrato em 2018. Segundo ele, o desemprego, por um lado, retira a renda de milhares de alagoanos e, por outro, diminui as possibilidades salariais de quem está no mercado. “Essa renda mais baixa impacta negativamente no consumo na medida em que, sem contrato de trabalho, sem a formalização, não se pode comprar ou fazer contratos comerciais e, claro, sem poder aquisitivo, o volume de compras diminui, afetando a economia, como estamos vendo nestes últimos anos”, explica.

Sobre o incentivo ao consumo, o economista afirma que as medidas que foram criadas, como 13ª parcela do Bolsa Família e saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) retiram tanto os recursos do programa de seguro desemprego e do abono salarial, no caso do PIS/Pasep, como os fundos para o financiamento da construção civil e de infraestrutura, no caso do FGTS. Ele lembra que isso já foi feito no governo Temer, em 2017, gerando um aumento passageiro do consumo.

Segundo Péricles, esta soma excepcional de recursos vindos dos salários regulares, mais a 13ª parcela do Bolsa Família e Previdência, mais aos saques excepcionais do PIS/Pasep e FGTS vão direto para o pagamento de algumas dívidas e para o consumo de bens populares – alimentos, roupas, remédios, móveis, material de construção no varejo, etc. Ele avalia que esses recursos irão repercutir principalmente no setor de comércio e serviços, que se tornou a principal atividade econômica de Alagoas. “Na capital, o comércio é o principal organizador da vida produtiva dos bairros, um grande empregador e ainda responde por parte considerável dos impostos recolhidos pela Prefeitura e Estado. No interior do estado, é a atividade responsável tanto pela dinâmica econômica da maioria das cidades como da articulação destas com as localidades vizinhas”, analisa.

* Sob supervisão da editoria de Economia.

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