Pesquisa
ENDIVIDAMENTO AVANÇA 5,58% EM 2019 E ATINGE 199 MIL CONSUMIDORES
Apesar da alta, houve queda de 2,7% no atraso de pagamento, de 84 mil consumidores em novembro, para 82 mil em dezembro
O número de consumidores endividados em Maceió encerrou 2019 com um avanço de 5,58%, na comparação com o ano anterior, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) divulgada nesta quarta-feira, 29, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio-AL).
De acordo com os dados, em dezembro do ano passado havia 199 mil consumidores endividados na capital alagoana. O número representa um aumento de 2,5% na comparação com o mês anterior, quando 194 mil consumidores estavam com dívidas.
Segundo o levantamento, feito em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), apesar do avanço do endividamento, houve uma redução de 2,7% no atraso de pagamento, saindo de 84 mil consumidores em novembro, para 82 mil em dezembro.
Além disso, aponta a pesquisa, a inadimplência recuou 4,44% na mesma base de comparação, atingindo 51 mil consumidores em dezembro.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio, Felippe Rocha, o avanço do endividamento foi puxado pela aquisição de bens e serviços. “Os dados refletem que os maceioenses utilizaram o 13º salário para quitar dívidas antigas e contas em atraso. E isso ratifica a pesquisa realizada por nosso Instituto, em dezembro, sobre intenção de consumo no Natal, quando já havíamos previsto que boa parte do 13º salário seria utilizado para reduzir dívidas”, avalia.
A pesquisa da Fecomércio revela ainda que o cartão de crédito foi o principal instrumento utilizado na obtenção das novas dívidas para 88,1% dos consumidores, seguido pelos carnês de loja (11,8%) e outros meios de endividamento (5,1%). Como os entrevistados podem responder a mais de uma forma de endividamento, a porcentagem fica acima dos 100%.
“Em média, os endividados têm parcelado suas contas em 6 parcelas, ficando metade do ano com renda menor”, informou a entidade, por meio de assessoria de imprensa. “E por falar em renda, o comprometimento com dívidas já alcança cerca de 29,7% da remuneração, ligando o sinal amarelo, pois o limite saudável é de 30%”.
NACIONAL
Em todo o País, como a Gazeta de Alagoas mostrou, o percentual de famílias com dívidas aumentou em dezembro de 2019, alcançando 65,6%. É o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela CNC desde janeiro de 2010. O resultado é maior do que os 65,1% observados em novembro de 2019 e superior aos 59,8% registrados em dezembro de 2018.As informações são da Agência Brasil.
Segundo a pesquisa, o percentual de famílias inadimplentes, ou seja, com dívidas ou contas em atraso, diminuiu em dezembro de 2019, na comparação com o mês imediatamente anterior, passando de 24,7% para 24,5% do total. No entanto, houve aumento do percentual de famílias inadimplentes em relação a dezembro de 2018, que registrou 22,8%.
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O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes também diminuiu, na comparação mensal, para 10% em dezembro, ante 10,2% em novembro. O indicador alcançou 9,2% em dezembro de 2018. Apontado como o principal tipo de dívida pelas famílias desde a primeira Peic, feita há dez anos, o cartão de crédito atingiu, em dezembro de 2019, seu maior patamar na série histórica: 79,8%. Em segundo lugar, vêm os carnês (15,6%) e, em terceiro, o financiamento de carro (9,9%). O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que o resultado, apesar de ligar o sinal de alerta, não pode ser considerado negativo. De acordo com ele, como o endividamento não foi acompanhado de um aumento expressivo da inadimplência, os dados indicam uma dívida com responsabilidade e compatível com a renda das famílias. “A tendência de alta do endividamento está associada à ampliação do mercado de crédito ao consumidor, impulsionada por fatores como a melhora recente no mercado de trabalho, sobretudo no emprego formal, e a redução das taxas de juros para patamares mínimos históricos, o que permitiu a redução do custo do crédito”, afirmou Tadros, em nota.