Economia
Ensinando a plantar o futuro mais saud�vel
WAGNER MELO Para os alunos da Escola Estadual Afrânio Lages, no Centro Educacional Antônio Gomes de Barros (Ceagb), a horta hidropônica instalada na unidade de ensino representa, além da oportunidade de aprender uma profissão, o prazer de saborear uma merenda mais saudável, preparada com alimentos produzidos na própria escola. Trata-se de uma experiência inovadora, que tem despertado os estudantes para a importância das questões ambientais e contribuído para modificar o comportamento dos alunos em diversos aspectos, como saliente a diretora do estabelecimento de ensino, Salete Omena. ?A horta hidropônica é apenas uma das ações que estamos desenvolvendo visando trazer a escola para mais perto da comunidade e despertar nos alunos a cidadania. É um processo interdisciplinar?, explica. Na avaliação dela, ensinar a plantar é um dos caminhos mais viáveis para atingirmos a meta do fome zero no País, tendo como diferencial o princípio da auto-sustentabilidade. Na horta hidropônica da Escola Estadual Afrânio Lages, parte da produção será destinada à venda para a manutenção do projeto e a outra parte, para complementar a merenda escolar. As perspectivas são as melhores, mas nem sempre foi assim. A diretora lembra que, em 1999, foi iniciado um projeto semelhante, com as hortaliças sendo plantadas no solo, da forma tradicional, mas não vingou. Agora, com a técnica da hidroponia, Salete tem percebido o maior envolvimento de todos, inclusive dos alunos que participaram do cultivo da primeira horta da unidade escolar. Ela afirma que alguns deles já concluíram o Ensino Médio, mas não se afastaram da escola, graças à atividade desenvolvida. A iniciativa de montar a horta hidropônica partiu dos próprios estudantes que, mesmo concluindo o Ensino Médio, continuam à frente do projeto. ?Nesta primeira fase de implantação da horta hidropônica, a participação de ex-alunos, aliada ao interesse dos estudantes que ainda estão cursando, tem sido fundamental para o sucesso do projeto piloto?, afirma. Outras escolas do complexo educacional já demonstraram interesse em implantar o programa, graças aos resultados alcançados. O projeto chegou a chamar atenção do assessor do Ministério do Meio Ambiente, Maurício Cortines Laxe que, após visitar a horta, fez elogios e sugeriu que o trabalho desenvolvido seja apresentado como caso de sucesso na Conferência Mundial de Meio Ambiente. O evento será realizado em Brasília, no mês de novembro. ?O assessor do Ministério disse que estamos no caminho certo?, destacou Jorge Mário, um dos coordenadores do programa Lagoa Viva, que coordena o projeto. Vocações Mais do que a idade - ambos têm 21 - e o fato de terem concluído o Ensino Médio na mesma escola, Jardiel Pereira e Robson Araújo têm outra coisa em comum. Freqüentando o curso pré-vestibular, os ex-alunos da Escola Estadual Afrânio Lages descobriram, através do contato com a hidroponia, a vocação pela Agronomia. No caso de Jardiel, o interesse pelas técnicas agrícolas vem de berço. Nascido numa família de Palmares, interior de Pernambuco, ele cresceu se alimentando das hortaliças plantadas no próprio quintal. Quando ficava doente, as ervas medicinais eram um santo remédio caseiro. Por seu conhecimento acerca das propriedades medicinais destas ervas, o estudante ganhou dos colegas o apelido de ?Pajé?. Já na opinião de Robson, a experiência com a hidroponia foi um divisor de águas na hora da escolha da profissão. ?O trabalho na horta (hidropônica) abriu os meus horizontes?, diz. Se antes, ele tinha dúvidas entre seguir a Agronomia ou a Física, agora não pensa duas vezes em declarar a sua opção pela primeira alternativa. O contato com a hidroponia também foi importante para ajudá-los a formar conceitos com relação às técnicas empregadas para a produção de alimentos. A grande preocupação dos pré-vestibulandos é com a qualidade dos alimentos. Ambos repudiam o uso de agrotóxicos e, no tocante à polêmica causada pela questão envolvendo os transgênicos, eles batem o pé contra a produção de alimentos modificados geneticamente. A discussão é outra oportunidade para Robson ressaltar mais um ponto positivo da horta hidropônica. ?A hidroponia não usa agrotóxicos, é tudo natural. Deveria ser um exemplo para todos?, afirma. Mesmo antes de conhecerem a nova técnica, Robson e Jardiel faziam parte do grupo de alunos que iniciou o cultivo de uma horta tradicional na unidade escolar, em 1999. Hoje, os dois são multiplicadores formados pelo programa Lagoa Viva. Juntamente com os colegas Celso Santos, Patrícia Vieira, Cléa Viviane e Isabele Fernandes, eles repassam, voluntariamente, seus conhecimentos para os demais alunos, dando um exemplo de dedicação e garantindo perspectivas de um futuro melhor para outros jovens.