Economia
Empres�rios condenam pulveriza��o do FGTS
EDIVALDO JUNIOR ?Não existe almoço grátis?. A frase foi usada pelo empresário Sérgio Falcão, diretor da Construtora Falcão, para traduzir a preocupação dele ? e do setor imobiliário ? com as ?mordidas? que outros segmentos da economia querem dar no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Formado por depósitos mensais na conta dos trabalhadores (8% sobre o valor da remuneração), o fundo tem um ativo de R$ 85,6 bilhões e é administrado pela Caixa Econômica Federal (CEF). Emprego Além de formar um pecúlio relativo ao tempo de serviço de cada empregado, o FGTS também lastreia um fundo de recursos para o financiamento de programas de habitação popular, saneamento básico e infra-estrutura urbana. Esse ano, o governo estima investir até R$ 5 bilhões do fundo nesses programas. Com tanto dinheiro ?disponível?, vários outros segmentos da economia começaram a botar ?olho gordo? no FGTS e passaram a pleitear uma fatia dos recursos destinados a investimentos e financiamentos - é o caso das bolsas de valores, por exemplo. Os empresários da construção civil estão reagindo às tentativas. E alertam: se o governo afrouxar o cofre, vai faltar dinheiro para financiar a moradia do trabalhador. ?O FGTS é a única fonte de financiamento para o trabalhador que ganha até 8 salários mínimos. Se o governo ceder, vai faltar dinheiro para a construção de casas populares e o déficit habitacional do país, estimado hoje em mais de um milhão de unidades, pode crescer?, afirma Falcão. Pulverização O empresário pede que os deputados federais e senadores fiquem atentos. ?Político que defende o interesse do trabalhador não pode permitir a pulverização do FGTS. Se isso acontecer, a população de baixa renda será prejudicada?, diz. Mobilização O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Alagoas (Sinduscon), José da Silva Nogueira, explica que existe, hoje, uma mobilização nacional do setor para evitar a pulverização do FGTS. ?Estamos pressionando os deputados e senadores, mas em Brasília já existem vários parlamentares comprometidos com a manutenção dos objetivos do FGTS. Acredito que será difícil que outros segmentos econômicos consigam retirar recursos do fundo. Mesmo assim estamos vigilantes?, enfatiza. De acordo com Nogueira, as gestões junto ao governo e aos congressistas são coordenadas pela Câmara Brasileira da Construção. ?Já foram realizados vários encontros e atos contra essas tentativas de pulverização dos recursos do FGTS destinados a investimentos. No entanto, continuamos atentos e vamos cobrar o posicionamento de todos os parlamentares?, avisa.