Economia
Em Delmiro, 2,8 mil recebem o benef�cio
A participação popular na tomada das decisões políticas do Brasil está aumentando a cada dia. Com a chegada do Programa Fome Zero no Semi-Árido, a sociedade está tomando a frente da fiscalização dos programas sociais do governo federal. Delmiro Gouveia, no interior de Alagoas, já está reescrevendo a sua história, marcada pela pobreza. Cerca de 2,8 mil pessoas na cidade já recebem o benefício do cartão-alimentação. Já são 903 municípios brasileiros que se organizaram para atualizar o Cadastro Único e decidir os critérios para as famílias que serão beneficiadas com os R$ 50 mensais do cartão-alimentação. Até o fim do ano, a previsão é que os comitês gestores alcancem 1,7 mil municípios, o que significa mais de 15 mil pessoas engajadas diretamente. Cada Comitê Gestor conta com a participação mínima de nove pessoas. Delmiro Gouveia é uma das 34 cidades com comitê gestor formado em Alagoas. A previsão é que até o fim do ano 2.850 famílias sejam beneficiadas. Em Alagoas, ao todo, são 27.614 famílias beneficiadas com o cartão-alimentação somente em agosto. E todas participando desse movimento social que está transformando o semi-árido brasileiro. Em Major Isidoro (AL), também com comitê gestor formado desde maio, a democracia dá uma lição de vida. Já são 1,7 mil famílias recebendo o benefício e participando das tomadas de decisões da cidade. A assistente social Juliana Alves, 26 anos, é integrante do comitê gestor e tem uma história bem interessante. Os pais dela moram na cidade. Quando adolescente, ela foi estudar na capital. Há seis meses, ela voltou novamente às origens para lutar pelo povo da cidade. Ela visita famílias do bairro de Fátima, um dos mais pobres da cidade. Entre fiscalizar e administrar o programa local, ela vivenciou muitos casos de famílias que não tinham sequer o que comer. Hoje, muitas delas recebem o cartão-alimentação. De boca em boca, os integrantes do comitê gestor local tentam conscientizar as pessoas dos seus direitos. Seja por rádio, carro de som ou pessoalmente, eles tentam transmitir conhecimento e cidadania. Em Delmiro Gouveia, o representante local do comitê gestor é o vigário Manoel Euclides dos Santos. Ele está fazendo uma operação ?pente-fino? na cidade. Com isso, cerca de 18 pessoas, que estavam sendo beneficiadas com o cartão-alimentação, tiveram seus nomes cortados do cadastro único, herdado da gestão anterior. Essas famílias estavam fora do limite de renda solicitado, de meio salário mínimo per capita. Neste mês, outras 120 pessoas devem ser excluídas também para dar lugar àquelas que realmente precisam. Euclides tem 43 anos e há 15 acompanha a situação da cidade. Ele ainda é gerente do programa de um milhão de cisternas da Articulação do Semi-Árido (ASA), parceira do Fome Zero. O vigário se criou na zona rural e decidiu trabalhar pela situação das pessoas sofridas pelo trabalho no campo. ?Só quem vive no sertão sabe o que é passar um dia sem comer?. Temos esperança de que o Fome Zero volte a trazer o desenvolvimento que já tivemos no início do século passado, quando tínhamos uma grande indústria de tecelagem na cidade, que chegava a emprestar cerca de 4 mil pessoas?, disse Euclides.