Economia
Investimentos atingem menor taxa desde 1993
Rio e Brasília - Os investimentos na proporção do Produto Interno Bruto atingiram no período de abril a junho seu menor patamar em um trimestre desde 1993, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE, o que pode ser um elemento limitador de um crescimento econômico robusto mais à frente. A taxa de investimento ficou em 17,88% do PIB no segundo trimestre, abaixo dos 19,13% observados no primeiro trimestre e de 18,41% registrado em igual período de 2002, de acordo com as contas econômicas trimestrais elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Investimentos O indicador confirma a paralisia dos investimentos na primeira metade do ano, quando a economia brasileira, abatida pelos juros altos, entrou em recessão. Segundo analistas, a taxa de investimento ideal para garantir um crescimento econômico sustentado deveria situar-se entre 25 e 26% do PIB. Meses de aperto monetário levaram a economia a encolher 1,6% no segundo trimestre comparado ao primeiro e 1,4% contra igual período do ano anterior, refletindo uma queda brutal no consumo doméstico. Foi o setor externo, com uma forte expansão das exportações e contração das importações, que sustentou a atividade. Analistas esperam que, com os recentes cortes nas taxas de juros, a economia se recupere neste segundo semestre, impulsionada inicialmente pela retomada da demanda interna. Os investimentos, por causa da acumulação de estoques pelas empresas e incertezas quanto ao marco regulatório em segmentos de infra-estrutura, devem reverter esse quadro ainda muito lentamente. Acordo com o FMI O diretor indicado para a área de Assuntos Internacionais do Banco Central, Alexandre Schwartsman, disse ontem que considera ?prudente? a assinatura de um novo acordo do Brasil com o FMI (Fundo Monetário Internacional) pelo período de um ano. Para Schwartsman, o país tem condições de ficar sem o acordo. Ele avalia, porém, que um novo acordo deve ser encarado como ?um seguro-saúde para uma família saudável?. Ou seja, contratado para evitar imprevistos. Questionado sobre os altos juros cobrados pelos bancos, Schwartsman afirmou que essas taxas não são resultado apenas do juro básico (Selic) elevado. Segundo ele, os spreads bancários (diferença entre o que bancos pagam para captar dinheiro no mercado e o que é cobrado nos empréstimos) são elevados também porque os depósitos compulsórios são altos e a Lei de Falências em vigor favorece os maus pagadores.