Economia
BC: PIB vai crescer apenas 0,6% em 2003
Brasília - O Banco Central reduziu sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 e da inflação para este e o próximo ano, em mais um sinal do custo da política de contenção dos preços para a atividade econômica. No relatório trimestral de inflação, divulgado nesta terça-feira, o BC coloca parte da responsabiliade pelo alto custo da política de controle dos preços na desconfiança dos agentes econômicos em relação ao novo governo. A previsão para o crescimento do PIB foi reduzida para 0,6%, ante projeção anterior de um crescimento entre 1,5 a 1,8%. A nova estimativa está abaixo da média da previsão do mercado, que aposta num crescimento de 0,74% em 2003, de acordo com o relatório Focus, e um pouco acima da previsão do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de crescimento de 0,5%. O BC avalia que o crescimento será puxado pela agropecuária, com expansão de 5,8% este ano, seguido pelo setor de serviços, com 1,3%. Já a indústria deverá encolher este ano 1,2%. Segundo o documento, a queda decorre da ?sensibilidade de segmentos do setor ao comportamento das taxas de juros? e das expectativas internas. Inflação em queda A projeção para a inflação em 2003 foi reduzida de 10,2% para 8,9% - chegando próxima da meta de inflação para o ano de 8,5%. Para 2004, o BC reduziu a previsão de uma inflação de 4,2% para 3,9% - abaixo da meta de inflação para o próximo ano de 5,5 por cento. As estimativas levam em conta uma taxa de juro estável de 20 por cento ao ano e um câmbio de R$ 2,90. Num cenário alternativo, levando em consideração a trajetória para os juros e o câmbio esperada pelo mercado, as previsões para a inflação são mais elevadas, chegando a 9,2% este ano e 5,8% em 2004. No cenário alternativo, o BC utilizou as projeções do mercado de um câmbio de R$ 3,08 por dólar no final do ano e de R$ 3,34 em 2004, além de uma taxa de juro de 18,5% no final de 2003 e de 15% em 2004. ?A política monetária estará atenta para garantir que a taxa Selic seja calibrada de forma a manter as expectativas em linha com as metas?, disse o relatório de inflação. PIB O PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) brasileiro atingiu R$ 711 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desse total, R$ 632,4 bilhões representam o valor adicionado dos produtos e serviços prestados no país e R$ 78,6 bilhões correspondem a impostos. No lado da demanda, tiveram maior peso na composição do PIB o consumo das famílias - que movimentou R$ 413,7 bilhões- e o consumo do governo -R$ 126,1 bilhões. Em valores percentuais, o IBGE divulgou, há pouco mais de um mês, que o PIB havia mostra crescimento de apenas 0,3% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. A estagnação da economia no período refletiu a política de juros altos adotada pelo Banco Central para conter a inflação. Ao mesmo tempo que foi eficaz para evitar o descontrole dos preços, a elevação da Selic ?a taxa básica de juros da economia brasileira? para até 26,5% ao ano inibiu o consumo e os investimentos, impedindo que a economia tivesse um desempenho melhor. Apenas no segundo trimestre, quando o aperto monetário atingiu seu ápice, a economia brasileira encolheu 1,6% em relação aos três meses anteriores, um resultado muito pior que o esperado pelo governo e por analistas de mercado.