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Economia

COVID-19: ALAGOAS TERÁ DE REFAZER CONTA PARA SUPORTAR RECESSÃO

Especialista diz que efeitos do coronavírus na economia do Estado terão duros e amplos impactos

Por ARNALDO FERREIRA REPÓRTER | Edição do dia 21/03/2020 - Matéria atualizada em 21/03/2020 às 08h38

Em meio da pandemia do coronavírus, Alagoas precisa arrecadar entre de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão mensais para manter as contas em dia. Só com o funcionalismo, o estado gasta R$ 300 milhões/mês. Do montante da arrecadação, mais R$ 100 milhões/mês, ao menos, é para manter em dia o pagamento do serviço da dívida pública. Para tentar minimizar os prejuízos provocados pela pandemia, o governo do Estado anunciou na quinta-feira (19), medidas para colaborar com os empreendedores de Alagoas. Uma delas é retardar, por 90 dias, a arrecadação de alguns tributos estaduais. De acordo com o Executivo, a decisão é uma das maneiras encontradas para aliviar os efeitos da Covid-19 nas empresas, já que há uma expectativa de queda do PIB de 1% – o que deve manter a recessão que se arrasta desde 2019. Um dos técnicos da economia mais importante do estado, o professor doutor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Cícero Péricles ressalta que os efeitos provocados pela Covid-19 na economia estadual representará “duros e amplos impactos, na medida em que todos os segmentos geradores de receitas serão impactados, sem exceção”. Por conta das necessidades estratégicas de saúde pública, que impõe o isolamento de trabalhadores e empresários, já ocorre a redução nas atividades dos setores de comércio e serviços, desde os grandes aos micros negócios, que perdem movimento e receita, e desestimulam ampliações ou novos investimentos. Ainda não se tem ideia do volume de prejuízo na economia local. Como acontece em todo o País, o turismo, nos próximos meses, refletirá o período de baixa estação, agora com o agravante da redução de voos. O medo do contágio estimulará os cortes de gastos nas famílias de classe média dos estados emissores de turistas para Alagoas, admitem os empresários do setor. O turismo de negócio, de congressos e de outros eventos que aquecem a baixa temporada, capitaneado pelo Convention & Visitors Bureau, já sente os efeitos da recessão gerada pela pandemia, na medida que todos os encontros públicos estão suspensos.

IMPACTOS

O economista Cícero Péricles também confirma os impactos no setor emergente da economia alagoana. Além do turismo, Péricles observa ainda que as exportações já estão diminuindo como consequência da redução do comércio mundial. Com a redução da receita tributária, haverá, por consequência, a queda das transferências federais, das quais o estado depende fortemente, tanto para as despesas dos programas existentes em todas as áreas da gestão, como para os investimentos, das obras de infraestrutura, diz o economista.

Esse recuo afeta diretamente a construção civil, que necessita da intervenção do sistema financeiro federal, principalmente da Caixa, para ativar seus programas ou ampliar seus empréstimos para aquisição de imóveis. Na entrevista coletiva do Presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, na última quinta-feira (18), ficou claro que “o foco dos investimentos federais neste momento será destinado ao Ministério da Saúde”. Nesse cenário, até as unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida que estão prontas serão transformadas em residência de isolamento para famílias infectadas, segundo o governo federal.

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