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Economia Com academias fechadas, alternativa seria fazer atendimento de alunos por aplicativos

DECRETO DO GOVERNO RENAN FILHO FECHA 700 ACADEMIAS EM ALAGOAS

Conselho alerta para cadeia de serviços prejudicada após medidas para conter pandemia de Covid-19

Cerca de 700 academias regulares em Alagoas estão fechadas após decreto de situação de emergência do governo do Estado, em vigor desde o último dia 20, que proíbe o funcionamento de estabelecimentos como forma de conter o avanço do coronavírus. Para amenizar os efeitos da crise com a suspensão - mesmo temporária dessas empresas - proprietários e funcionários tentam manter os alunos já matriculados. Carlos Eduardo Lima, presidente do Conselho Regional de Educação Física em Alagoas, afirma que a incerteza sobre a prorrogação do decreto fez com que os empresários desse ramo buscassem alternativas para sobreviver em tempos de pandemia, já que as academias - maioria delas de pequeno ou médio porte - podem não voltar a funcionar após esse período. “Infelizmente a situação não está boa, porque o decreto foi claro para evitar aglomeração. A gente não tem certeza se será prorrogado e infelizmente os prejuízos vão se acumulando. A gente como conselho está recomendando que os clientes não abandonem as academias e os profissionais, no sentido de não cancelar suas matrículas, continuarem pagando porque eles não vão perder. Que continuem pagando seus programas de treino, mesmo ficando em casa e quando voltarem entrem em acordo com os empresários”, explica Carlos Eduardo. Uma alternativa, de acordo com o presidente do Conselho Regional de Educação Física, é que o personal trainer pode fazer o atendimento de alunos utilizando os aplicativos disponíveis. Essa forma afasta a possibilidade de exercícios “administrados” por quem não é profissional da área. “Não recomendo que o personal vá até o aluno porque o decreto diz para ficar em casa, até porque não se sabe se o personal ou o cliente está infectado e a visita pode contaminar um ao outro e contaminando outras pessoas. Tenho certeza que algumas academias vão ter bastante dificuldade de permanecer no mercado depois dessa crise. Algumas têm muitos funcionários, talvez não tenham capital de giro ou está no início. De qualquer maneira há algumas medidas sobre o pagamento de impostos que podem ajudar”, avalia Carlos.

CONSELHO ALERTA

Carlos Eduardo, que também é professor, explica que é um cadeia de serviços prejudicada após as medidas para conter a pandemia de Covid-19. “Na faculdade, por exemplo, fazem aulas virtuais e nas escolas anteciparam férias, mas academia é diferente. A pessoa quer estar presente, ficar dentro, é uma relação de consumo totalmente diferente porque não é prioridade. Têm obrigações financeiras e a pessoa prefere pagar escola, feira, condomínio e acaba deixando a academia ‘abandonada’, mas tem o proprietário, os funcionários, os professores, os personais que dependem disso”, lamenta. “Nesses período, nas redes sociais o que está estourando de youtuber prescrevendo atividades, querendo ser influenciador. Isso é um perigo à saúde pública. Esse pessoal deveria ser preso. Eles colocam uma atividade que fazem em casa e não tem a preocupação de dizer que deve ser feita com cuidado. Se a pessoa tiver uma patologia pode piorar. O treino precisa ser supervisionado. Eles não estão preocupados, querem seguidores. Para atuar em academia, o profissional precisa ser bacharel em Educação Física e registrado no Conselho de Educação Física, é uma profissão regulamentada”, alerta. O presidente da entidade lembra que se o decreto do governo do Estado for prorrogado, os proprietários de academias têm que encontrar maneiras de sobreviver à crise. “Infelizmente os empresários vão ter problemas, mas os bancos estão colocando linhas de credito especiais”, finaliza.

ALTERNATIVA NA CRISE

Jamerson Carlos trabalha numa academia na Jatiúca e atua como personal trainer. Para manter a renda familiar, encaminha treinos para alunos com o uso das redes sociais. “A academia está fazendo esse serviço, como a gente já conhece o aluno, faz avaliação e passa treino dentro das necessidades deles com o que tem disponível em casa, já que o próprio Ministério da Saude indica o isolamento. A gente encaminha o vídeo do exercício via Whatsapp para que ele possa fazer em casa”, explica.

Em meio a uma pandemia que se alastra pelo mundo, Jamerson teme a incerteza sobre o futuro. “A gente teme, porque não sabe como vai ser nos próximos meses e nem o tempo que vai durar. A gente fica preocupado porque sabe que tambem não é só o nosso setor que fica afetado, mas tem que compreender porque existem determinações do Ministério da Saúde e nós somos profissionais da área da saúde. Tem que ter bom senso, tem que pensar tanto na questão econômica como na questão da saúde e identificar o que vai pesar mais nesse momento”, reforça o educador físico. O decreto para conter o coronavírus estabelece o fechamento, por dez dias, de bares, restaurantes, lanchonetes, estabelecimentos comerciais similares e pontos que pratiquem o comércio ou prestem serviços de natureza privada. Além disso, proíbe a presença de clientes nessas localidades.

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