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Economia

CONSTRUÇÃO CIVIL DE ALAGOAS SUGERE FLEXIBILIZAÇÃO DE DECRETO

Sinduscon diz que, se não houver alteração em medidas, haverá agravamento do setor no Estado

Por REGINA CARVALHO REPÓRTER | Edição do dia 27/03/2020 - Matéria atualizada em 27/03/2020 às 08h35

Uma semana após entrar em vigor o decreto de situação de emergência para conter o avanço da pandemia do novo coronavírus em Alagoas, a construção civil avalia que é preciso flexibilizar as medidas para preservar o setor que emprega cerca de 60 mil trabalhadores no estado. Se não houver alteração no texto, entidade como o Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon/AL) prevê o agravamento da crise econômica. Para Alfredo Brêda, presidente do Sinduscon/AL, setores precisam voltar a produzir em Alagoas. “O decreto expira no início da próxima semana e o setor espera que o governador flexibilize uma parte do que foi proibido, claro que não é tudo de uma vez, porque se manter e prorrogar 100% do decreto isso vai se tornar o caos. Apesar de ser muito grave essa situação do coronavírus, é grave também a fome e a falta de recursos para as pessoas. A miséria vai assolar o nosso estado, precisa haver um meio termo”, alerta. O presidente do sindicato explica a necessidade da liberação gradativa de alguns setores importantes para a economia alagoana. “O que nós desejamos é que o governo comece a liberar gradativamente setores como lojas de material de construção e que indústrias voltem a se movimentar. Para se ter uma ideia começa a faltar até papelão para embalagem de produtos. Precisa aos poucos liberar os setores para voltar a produzir, mas com responsabilidade, isolando grupos de risco. Essas providências a gente já vem tomando. O risco de desemprego é grande”, acrescenta o empresário.

Alfredo Brêda destaca que a construção civil gera cerca de 60 mil empregos diretos e indiretos em Alagoas e que, alem disso, de trinta a 40 setores sobrevivem dessa área. “A exemplo de lojas de material de construção, de alimentação fornecida nas obras, corretores. É preciso pensar na preservação de vidas, mas é preciso ver algumas situações. Essa parada vai causar o caos, porque nós do setor empregamos também pessoas com menos qualificação. Imagine esse pessoal todo na rua, sem conseguir sustentar suas famílias”, explica.

EFEITOS

Integrantes do Sinduscon e outras entidades participaram de reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico do Município, nessa quinta-feira (26), e discutiram os efeitos do decreto do governo do Estado. “Nós, em cima desse decreto, fizemos uma recomendação às construtoras que pudessem parar, tipo se tivesse uma construtora construindo um hotel, um prédio de apartamentos, dependendo do tipo de construção. Mas obras de drenagem e obras públicas não podem parar”, acrescenta Brêda. O presidente do Sinduscon informou, ainda, que ficou decidida junto ao sindicato dos trabalhadores a liberação dos empregados, que poderão ficar em casa durante dez, vinte ou 30 dias, período que será descontado das férias do trabalhador. Jubson Uchôa é presidente da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário de Alagoas (Ademi) e diz que os reflexos da pandemia do novo coronavírus acontece em todos os setores, até porque uma parte da indústria está parada, atingindo em cheio a construção civil. “Nós da construção civil não estamos parados, o decreto do governador não mandou paralisar. Não estamos paralisados, mas alguns construtores por decisão própria resolveram parar”, destaca. Como as informações sobre o coronavírus são atualizadas a todo instante, a construção civil tem tomado novas decisões. “No fim de semana muita gente tinha a opinião de que deveria parar, nós da Ademi fizemos uma colocação e orientamos que quem quisesse parar, parasse. Quem quisesse continuar, continuasse, já que o decreto não obrigava a paralisação. Mas com o passar da semana, a gente está vendo outros reflexos. Há autônomos, pessoas que realmente necessitam trabalhar e isso está fazendo com que haja um pensamento hoje de muitos que resolveram parar, mas agora decidiram retornar no dia 31, que é data que o decreto do governador expira. A maioria das construtoras que pararam devem retornar”, informa Uchôa.

FALTAR INSUMOS

Na opinião do presidente da Ademi, por enquanto ainda não faltam insumos utilizados no setor, mas a situação deve se complicar em pouco tempo. “Acreditamos que se isso perdurar por mais uns dez dias poderá faltar alguns materiais. A gente tem informações de algumas cerâmicas que estão fechadas. Mas como não são todas, você pode optar por algum produto semelhante de outro fabricante”, afirma.

Se houver fechamento de divisas com outros estados do Nordeste, que passaram a registrar mais casos confirmados de Covid-19, o setor deve sentir o impacto da medida, opina Uchôa. “Grande parte do insumos vem de outros estados do Nordeste e se fechar uma divisa pode ter reflexo, já que muitos produtos chegam através do transporte rodoviário”, completa Uchôa. Sobre os cuidados para evitar a contaminação dos trabalhadores, as entidades informam que estão fornecendo álcool gel, orientando sobre medidas de higiene pessoal, uso de máscaras e alertando sobre a importância do isolamento. “Têm empresas que diminuíram a quantidade de trabalhadores e quem pode ‘home office’ está trabalhando de casa. Aquele que tem problema pré-existente também trabalha em casa ou quem não pode a gente libera e está dando férias. Tudo resolvido para oferecer mais espaço dentro do escritório, reduzindo o contato”, finaliza o presidente da Ademi.

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