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Coronavírus

QUEDA DO FATURAMENTO DE MICRO E PEQUENOS ATINGE 70% EM ALAGOAS

Micro e pequenos empresários estão se virando como podem para fugir da crise imposta pela pandemia do novo coronavírus

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Micro e pequenos negócios de Alagoas registram queda brusca no faturamento com pandemia de Covid-19, diz setor
Micro e pequenos negócios de Alagoas registram queda brusca no faturamento com pandemia de Covid-19, diz setor -

A quarentena impôs um novo ritmo de trabalho nas empresas e está exigindo criatividade dos pequenos e médios comerciantes para evitar um colapso nas contas. Em Alagoas, micro e pequenos empresários estão se virando como podem para fugir da crise imposta pela pandemia do novo coronavírus. Para não fechar as portas, muitos destes estabelecimentos criaram uma rotina diferente para atrair a clientela que está presa em casa. O diretor da rede de sorveterias alagoana Illa, Douglas Diniz, revelou que a redução no faturamento nos últimos 20 dias chega a 70% em relação ao mês anterior. E foi pior no início do decreto do governador Renan Filho (MDB) que as lojas nem poderiam abrir ao público. “Chegamos a 90% de queda no faturamento. Mas, como desde a semana passada estamos liberados no regime pegue e leve, já percebemos uma leve melhora no quadro”, destaca o empreendedor. Ele conta que tomou a decisão de renegociar as dívidas com todos os fornecedores e tentou vender todo o estoque para poder ter caixa nos dias de isolamento social. “Penso que o caixa, para uma empresa, é a mesma coisa de oxigênio para uma pessoa. Mas, na distribuição, tivemos uma reunião com nossos vendedores externos e orientamos para eles focarem na venda dos nossos produtos em mercadinhos e supermercados de bairros, que tem permissão para funcionamento”. Ele conta que foi surpreendido com o decreto de quarentena e não teve muito tempo para se organizar e parar as obras de uma loja da Illa que está abrindo no município de Arapiraca, no Agreste do Estado. “Quando fiquei sabendo [do decreto], deu vontade de voltar pra Maceió e dispensar eletricista, marceneiro e o pintor”, revela. Mesmo assim, conseguiu se reunir com os diretores da empresa para investir nas plataformas digitais. Além disso, colocou 95% dos funcionários em férias coletivas para funcionar, apenas, com a opção de entrega em domicílio. “Duas vezes por semana, estamos tendo reunião com os gestores do nosso negócio, para traçar as estratégias daqui pra frente, mas, confesso, que não vem sendo fácil, já que tudo muda a cada dia, com novas regras e novos decretos”. Dono de um restaurante de comida japonesa no conjunto Eustáquio Gomes, em Maceió, Jorge Sutareli calcula um prejuízo de 30% no faturamento nestes últimos dias. Porém, ele disse que, ao lado da noiva, conseguiu criar uma estratégia inovadora e rápida para driblar o cenário caótico. “O faturamento no mês de março caiu bastante, principalmente no meio do mês. Sentimos uma evasão e dias muito bons passaram a ser vazios. Com a quarentena instaurada e apenas o delivery funcionando, conseguimos manter o faturamento perto do normal, e essa semana nós conseguimos chegar em um valor próximo ao que nós fazemos fora de crise”, diz, aliviado. Ele disse que ficou preocupado com o decreto, mas entendia a importância da manutenção da saúde pública. “Então, apenas confiamos em Deus e seguimos o decreto. Nós tomamos algumas medidas em relação ao vírus. Além das necessárias em relação à saúde, também ofertamos promoções, taxa grátis para alguns bairros e além de iniciar uma campanha de arrecadação de alimentos”, destaca. Para ajudar micro e pequenos empresários durante a pandemia, o Sebrae Alagoas ampliou o atendimento digital, por meio do 0800 570 0800, do portal e WhatsApp. Além disso, até 8 de abril, está oferecendo mais de 200 consultorias remotas aos empresários da região do Sertão e disponibilizou mais de 110 cursos online (capacitações de fluxo de caixa, planejamento, empreendedorismo, finanças, marketing digital e boas práticas nos serviços de alimentação). De acordo com o economista e analista de gestão estratégica do Sebrae, Fábio Leão, com base em pesquisa, a maior consequência da pandemia nas pequenas empresas foi a redução do faturamento, atingindo cerca de 70% dessas empresas. “Outro fato percebido foi a conversão abrupta e de grande esforço de mudar a forma de atendimento da empresa para o remoto, por meio do telefone, WhatsApp e outras redes sociais. A necessidade induziu cerca de 80% dessas empresas para o remoto”. Uma boa informação, segundo ele, é que cerca de 60% das empresas pesquisadas não tinham ainda demitido. Porém, a preocupação é que se a ajuda governamental não chegar em 30 dias, prazo máximo identificado, as empresas não conseguirão suportar, podendo ocorrer demissões.

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