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Pre�o da cana-de-a��car cai 20% em Alagoas

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EDIVALDO JUNIOR O preço da cana-de-açúcar pago ao produtor despencou mais de 20% em setembro. Em média, uma tonelada padrão (com rendimento de 114 quilos de açúcar) da matéria-prima na safra 02/03, encerrada em agosto, ficou acima dos R$ 36. No mês passado, quando foi iniciado o novo período de colheita, o preço médio da cana recuou para R$ 28,5. O recuo no valor da cana-de-açúcar, medido pelo Açúcar Total Recuperável (ATR), é reflexo de preços cada vez mais comprimidos do açúcar e do álcool nos mercados nacional e internacional. No mercado interno, a saca de açúcar de 50 kg está abaixo dos R$ 28 e cerca de US$ 145 a tonelada na bolsa de Nova Yorque. No começo da safra passada a saca de açúcar custava acima de R$ 35 e era cotada no mercado externo por mais de US$ 150, com um câmbio de cerca de R$ 3,30 para US$ 1. Hoje, o câmbio está abaixo de R$ 2,90. Aperto Embora compreendam as razões da queda de preço da cana-de-açúcar, os produtores estão chiando. E muito. ?O valor atual da matéria-prima não é suficiente sequer para cobrir os custos de produção?, reclama o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes. Ele defende mudanças no sistema de cálculo do preço da cana para o produtor. ?Hoje adotamos ATR único para Alagoas. Queremos negociar com as usinas a adoção de um ATR único para o Nordeste, de preferência igual ao de São Paulo?, afirmou. ?Estamos conversando com o Sindaçúcar/Alagoas e devemos evoluir, nos próximos dias para um acordo?, reforçou Antunes. O presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL), Pedro Robério Nogueira confirma as negociações com a Asplana e admite o estudo pelo sistema de preços de São Paulo. ?Estamos levantando informações técnicas que poderão contribuir para mudanças no ATR de Alagoas. E essas mudanças poderão favorecer os fornecedores?, explicou. As indústrias do setor sucroalcooleiro também estão sendo afetadas pela queda nos preços do açúcar e do álcool, segundo o Sindaçúcar/AL. Na safra 03/04 o setor espera faturar R$ 1,5 bilhão contra R$ 1,9 bilhão da colheita anterior. ?Teremos uma boa safra no campo e na indústria. Mas por enquanto os preços estão em baixa e só devem reagir a partir do encerramento da safra no Centro-Sul?, disse Pedro Robério. Entenda o que é ATR No mercado da cana-de-açúcar, os preços são calculados pelo Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador que aponta o rendimento industrial da matéria-prima e é calculado a partir de um mix dos preços dos produtos finais (açúcar, álcool, etc.). O cálculo do ATR é feito mensalmente pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, de São Paulo. De acordo com valores divulgados pelo Sindaçúcar/AL, o ATR de agosto (safra 02/03) foi calculado em R$ 0,3093. Em setembro, com o início da nova safra, o preço caiu para R$ 0,2556. O indicador mede o rendimento da matéria-prima. Em Alagoas, a média de ATR na safra 02/03 foi de 133 kg de cana por tonelada. A expectativa é de que essa produtividade seja mantida na safra atual. Cortado de cana pede piso salarial de R$ 320 Os trabalhadores rurais da zona canavieira iniciam, nesse domingo, a realização de assembléias sindicais à campanha salarial da safra 2003. No início desta semana eles devem apresentar a pauta de reivindicações aos sindicatos patronais. Neste domingo, 49 Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs) da zona canavieira alagoana realizarão assembléias para discutir o piso salarial da categoria, formada principalmente por cortadores de cana. Os sindicatos devem aprovar proposta única: vão defender que o piso salarial, hoje em R$ 250,00 aumente para R$ 320,00. De acordo com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Alagoas (Fetag), a data- base para fechamento do acordo salarial é 1º de novembro. ?Se passar dessa data, qualquer decisão terá efeito retroativo?, disse Antônio Vitoriono, presidente da Fetag. A Fetag estima que a cana-de-açúcar emprega em Alagoas - durante a safra - cerca de 150 mil pessoas. A federação reclamara que muitos ainda trabalham em condições ?subumanas?. Nesta segunda-feira, os sindicatos devem apresentar as deliberações das assembléias à Fetag. Com base nas propostas aprovadas pelos STRs a federação definirá uma pauta que será apresentada aos empregadores (usinas, destilarias e produtores de cana) na próxima terça-feira.

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