Economia
Cresce interesse de alagoanos em tirar nome do SPC
CAÍQUE MARQUEZ Nada como um Natal após o outro para reduzir os índices de inadimplência e conduzir o devedor alagoano às lojas e unidades de proteção ao crédito. Está na hora de limpar o nome na praça e garantir os presentes de dezembro. O levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Maceió aponta para esse movimento por parte dos consumidores. No Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da CDL, o número de pessoas que deixaram o cadastro negativo, no último mês de agosto, foi 5% maior que no mesmo período de 2002. Cerca de 20 pessoas têm procurado diariamente a central de atendimento de Maceió para resolver suas pendências. Segundo o presidente da CDL, Wilson Barreto, do total de cheques compensados em agosto, em Alagoas, 8% deles foram devolvidos por falta de fundos. ?Trata-se de um percentual considerado alto pela CDL. Ultimamente, o volume de transações com cheques pré-datados aumentaram. Em conseqüência disso, a tendência é o número de cheques sem fundos na praça ser maior. Contudo, houve queda, em relação ao ano passado?, frisou. Wilson Barreto disse que é preciso maior comprometimento das instituições bancárias para evitar o crescimento da emissão de cheques sem fundos no comércio. ?Os bancos estão abrindo contas indiscriminadamente, sem exigir muitos critérios. Para eles, não faz diferença aumentar o número de cheques sem fundos, pois os bancos ganham de qualquer forma, em cima das taxas. É cobrado do emissor do cheque sem fundos uma taxa de R$ 20,00 e R$ 3,50 de quem deposita. É a total desmoralização dos cheques?, ressaltou Barreto. Os números nacionais também mostram que a inadimplência apresenta uma trajetória declinante. No último mês de agosto, o volume de cheques devolvidos (2.944.025) no País foi 15,1% menor na comparação com julho. De acordo com Wilson Barreto, a nova linha de crédito com juros baixos, anunciada pelo governo federal para estimular a compra de produtos eletrônicos, também é apontada como um incentivo para os devedores saírem do cadastro de inadimplentes. Para contratar empréstimos de R$ 100,00 a R$ 900,00, com a chance de pagar no prazo de até 36 meses, a uma taxa de juros de 2,53% ao mês, o candidato não pode ter o nome ?sujo?. A liberação das restituições do Imposto de Renda, a partir de junho, e o início do pagamento dos rendimentos do PIS, no mês passado, também são apontados como ingredientes na atual corrida para regularizar pendências. Wilson Barreto explicou que o comércio tem esperanças de superar dezembro de 2002, em pelo menos 20% no acréscimo das vendas para o Natal deste ano. ?As pessoas estão fazendo o máximo para pagar o que devem porque só assim vão conseguir um novo crediário no fim do ano. São nos meses de setembro, outubro e novembro que as lojas recebem o maior número de visitas dos clientes inadimplentes. É também nesse período que os consumidores evitam contrair dívidas. No ano passado, as pessoas estavam receosas com o novo governo que estava para assumir. Hoje, a realidade é outra e há uma maior confiança. Por isso, acreditamos que as vendas vão superar o Natal de 2002?, salientou. Para Wilson Barreto, as lojas estão oferecendo excelentes condições para quem quer sair da inadimplência. Algumas estão dispensando juros e multas. ?O comércio não tem interesse em manter ninguém inadimplente, mas também quer receber. Percebemos que o número de inadimplentes não tem aumentado, pois o consumidor está mais responsável e cauteloso. A recuperação tem sido maior que a inadimplência?, informou Barreto, acrescentando que apesar do número de inadimplentes não ter aumentado, ele ainda continua alto em Maceió. Até agosto desse ano, 236.800 pessoas estavam com os nomes negativos no SPC. A autônoma Maria Inês Granja passou pelo balcão de atendimento do SPC, na última semana, em busca de um acordo para quitar a dívida com uma empresa de telefonia celular e sair do cadastro de inadimplentes. São três faturas em atraso. O marido e o filho estão desempregados. Ajuda De acordo com a autônoma, o débito será pago com o dinheiro que ela recebe para ajudar uma amiga que trabalha com vendas. ?Nunca tive meu nome no SPC, mas o ano tem sido difícil. Eu assumo minha dívida. Agora, o mais importante é procurar pagar esse débito. Com o nome ?limpo? posso conseguir crediário?, observou. A dona de casa Marta Maria Gontijo foi até a central do SPC para tentar se livrar de uma dívida contraída pela cunhada, em 1999, numa loja de departamentos. ?O débito inicial era de R$ 105,00. Vou até a loja tentar fazer um acordo?, disse.