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Governo far� leil�es para venda de milho no NE

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O governo vai retomar os leilões públicos para contornar o desabastecimento de milho na região Nordeste. A garantia foi dada pelo ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, a deputados nordestinos, em conversa reservada na última semana. A notícia animou os avicultores da região, que enfrentam uma crise devido à interrupção do programa de equalização dos preços e o impedimento da importação do milho argentino, em conseqüência das controvérsias judiciais sobre a questão dos transgênicos. A medida pode ocasionar uma redução nos preços do frango e ovo, principais alimentos da população menos favorecida. Segundo o vice-presidente da Associação Avícola de Pernambuco, Antônio Corrêa de Araújo, somente no ano passado, 162 granjas fecharam e 18 mil pessoas perderam seus empregos no Estado devido à ausência de regularidade dos leilões. Neste ano, a situação foi um pouco melhor no primeiro semestre, segundo ele, devido à queda na cotação da moeda americana, mas as previsões para o fim do ano são mais pessimistas. ?A volta da exportação do milho nacional vai gerar ainda mais desemprego?, afirmou Araújo. O setor movimenta um volume de negócios da ordem de R$ 1,57 bilhões no Nordeste, gerando mais de 290 mil empregos diretos e indiretos. A região é responsável por cerca de 9% da produção nacional de frangos e 16% da produção de ovos, destinados essencialmente ao consumo interno da região, representando, em alguns casos, a única fonte de proteína animal na mesa de centenas de brasileiros de baixa renda. O problema é que a região Nordeste não é auto-suficiente na produção de milho e soja para atender sua demanda avícola, tendo de importá-los a custos bastante onerosos dos demais estados do País ou do exterior, especialmente, Estados Unidos e Argentina. A falta de incentivo para a produção nacional é alvo de críticas dos parlamentares. ?É uma vergonha, o Brasil ter que comprar milho da Argentina, com a nossa extensão territorial?, lamenta o deputado Helenildo Ribeiro (PSDB-AL). O deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) apresentou ao ministro José Dirceu na semana passada dados que serão usados pelo governo como justificativa para retomada dos leilões de estoques públicos. De acordo com ele, enquanto nas regiões Sul e Sudeste, o preço da saca do milho de Kg 60 varia entre R$ 14 e R$ 16, o Nordeste está pagando pelo produto R$ 28. Já o milho da Argentina, pela diferença no custo do frete, chega à região ao preço de R$ 22 e ao Centro-Sul por R$ 16 a R$ 18. A diferença nos preços do Centro-Sul e da Argentina deve-se, sobretudo, segundo o vice-presidente da Associação Avícola de Pernambuco, à precariedade de infra-estrutura em ferrovias, hidrovias e portos. ?São 3,4 mil Km de estrada, o que eleva o custo do produto em três vezes. A avicultura perde em competitividade no Nordeste. No ano passado, tivemos uma perda de 30% na produção porque o Centro-Sul consegue produzir e vender o frango mais barato e vender no Nordeste?, explica. Já o milho da Argentina chega ao Nordeste por navios. Com a volta dos leilões públicos os avicultores nordestinos poderão comprar milho e soja por preços iguais aos vendidos no Centro-Sul. Com isso, espera-se que as empresas ganhem competitividade, reduzindo o custo da produção. ?O governo tem que atuar para instituir a paridade dos valores. Se o ministro José Dirceu coloca que a prioridade do governo é diminuir o desemprego, precisa tomar uma providência ou vai contribuir para aumentar as estatísticas em Pernambuco?, pondera o deputado Severino Cavalcanti. Outra iniciativa que o setor cobra do governo é a revogação de uma resolução editada em maio deste ano, pela qual a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança ? CTNBio precisa autorizar cada navio a descarregar o milho comprado da Argentina. O processo é demorado e os avicultores nordestinos estão desde maio sem poder comprar o produto do mercado externo. As dificuldades foram colocadas porque na Argentina a produção de sementes geneticamente modificadas é liberada. No Brasil, o uso só é permitido para o consumo animal. ?Requeremos a intervenção urgente do governo federal para a regularização dos leilões do estoque nacional, o cultivo e a comercialização de milho transgênico para o consumo animal, e uma legislação definitiva envolvendo insumos básicos da avicultura, a exemplo, da solução dada aos produtores de soja do Rio Grande do Sul?, diz o documento encaminhado ao governo pela bancada do Nordeste na Câmara Federal.

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