loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Economia

Economia

Pre�o determina op��o do consumidor na compra

Ouvir
Compartilhar

O preço é fator determinante para que o consumidor opte pelos produtos. Com o poder aquisitivo cada vez mais apertado, só se põe no carrinho dos supermercados produtos de qualidade irrefutável quando estão em promoção. A mudança de comportamento do consumidor já foi comprovada inclusive por pesquisa do Instituto Latin Panel, integrado ao Ibope. Sua diretora, Ana Cláudia Fioratti, explica que foram pesquisadas na última década hábitos de consumo de seis mil domicílios brasileiros, representativos de 77% do potencial de consumo no País. A infidelidade às marcas, seja pelo surgimento de similares nas prateleiras ou pelo preço promocional, predomina em todas as classes sociais. De acordo com a pesquisa, essa mudança fez com que 75% das marcas líderes de 35 categorias de produtos perdessem a exclusividade para marcas novas e aquelas próprias, de supermercados e redes de varejo. Na categoria alimentos, 85% das marcas líderes perderam exclusividade, percentual que é menor quando o assunto são produtos de higiene ? aí só 40% das marcas líderes perderam uma fatia do mercado. Na sessão de massas, por sua vez, as de marcas tradicionais perderam 37% da preferência para as similares. Em biscoitos a queda de vendas das marcas tradicionais foi de 22%. Preço O presidente da Associação dos Supermercados de Maceió, Raimundo Barreto, confirma que pelo menos nos itens da feira, o consumidor não liga para marcas. ?O macarrão escolhido é o de preço mais acessível, pode ser o intermediário ou o mais barato de todos, nunca o mais caro, mesmo que se saiba ser o mais gostoso e nutritivo. A carne, um dos itens indispensáveis, por classificar-se como ?mistura?, na linguagem popular, praticamente só é comprada em supermercados nos dias de promoção. Não importa qual a parte do boi. Vale o que for posto em promoção?, observa Barreto. O policial militar Mário José Morais Marques confessa que faz a feira ?picada?. Vai em diversos lugares e leva o que está em promoção. ?Eu mesmo faço a feira. Em casa ninguém se dispõe a andar tanto para concluir as compras. É só se habituar. Sei de onde vem o dinheiro e o quanto é difícil consegui-lo. Quando vou em algum lugar que tem perto um supermercado entro e confiro os preços. Se tiver grana na hora já levo algumas coisas cujos preços compensem. Se não, volto depois,? disse, enquanto escolhia carne num supermercado de Maceió onde o quilo do patinho baixou de R$ 9 para R$ 6. ?É importante olhar também a data de validade do produto?, frisou Jamil Nogueira, que estava comprando iogurte, um dos itens da lista de supérfluo que sofreu baixa de vendas nos últimos anos. ?Em casa todo mundo gosta. Quem não gosta? O sabor agrada a todos, o problema é que a feira acaba reduzida aos itens de primeira necessidade. Essas outras coisas a gente leva pouco, mesmo assim, leva aqueles colocados em promoção, independente da marca?. Enquanto uma badeja com cinco iogurtes custa R$ 4,50, de determinada marca, um litro de um similar sai por R$ 2,10. Opinião Com o sabão em pó, amaciante e sabonete, por exemplo, as donas de casa aprenderam a levar o que não é da preferência, só para economizar. ?Na minha opinião o melhor é o oma máquina e o amaciante, o comfort, mas são caros. Experimentei outras marcas e vi que dá para usar. Hoje, os itens prediletos só vão pro carrinho se tiver em promoção?, disse Ana Carla. José Carlos Coutinho completou, dizendo que a estratégia é necessária para que o consumidor possa levar o maior número de itens que levou na feira anterior, sem dar muita diferença no preço final das compras. O jeito é ficar atento às promoções e as marcas similares, já que as tradicionais são caras. Ele citou o exemplo do queijo Regina, que chegou a R$ 16, enquanto outros estavam por R$ 8. Promoção A enfermeira Maristela Santos disse que se pudesse só usaria sabonete erva-doce do Boticário, mas com a crise teve que substituir. Passou para o dove, que custa R$ 1,29 na promoção e depois passou para o erva-doce da Even, que custa R$ 0,69. ?Compro só um do melhor e uso no rosto. O mais barato compro em quantidade e uso diariamente no banho. Com o creme dental também baixei o padrão. Antes só usava Parodontax, que custa R$ 12, hoje, só levo o da promoção. Agora, no caso, o gessy, que está por R$ 1,15. O sabão, o brilhante, que tá por R$ 2,39 o pacote com 500 gramas. O meu preferido custa R$ 8,00. Não dá para suportar. Se a gente não agir assim, os fabricantes não baixam os preços?. O sorvete é outro item da lista de supérfluo que apresentou baixa de consumo. ?Tou levando o potinho de um quilo da Nestlé só porque baixou de R$ 12,49 para 9,95. Olhei a validade e compensa. Nem ligo que não é o meu sabor preferido. Sorvete é sempre bom, inclusive sai mais barato o caseiro, que a gente faz com a fruta da época?, disparou Jandira Lima. Supermercado Ela frisa que hoje, para fazer o salário ser suficiente para fazer a feira, é um verdadeiro jogo, um quebra-cabeça onde as peças são encontradas em lugares diferentes. Vence quem anda mais, quem sabe pesquisar e pechinchar. ?Só entro num supermercado para comprar o que tá em promoção daquelas, que compensam. Mas o grosso, compro em variados lugares. Aprendi a ir comprar carne no Mercado da Produção, não só carne, mas o salgado, em geral. Também vou à feira do Tabuleiro. São os melhores locais. A carne e o frango custam em média 50% mais barato que nos supermercados e tem ainda a vantagem de oferecer mais opções, como sururu fresco, peixe e outros produtos da lagoa que as mulheres de pescadores do interior vêm vender aqui, por R$ 2,50 o quilo. O peixe chega a R$ 4, dependendo do tamanho? . Empresas de varejo, economistas e indústrias já captaram essa mudança. Em junho, o rendimento médio do trabalhador brasileiro despencou 16,4% sobre o mesmo mês no ano passado e bateu o menor valor desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística começou a publicar o indicador, em outubro de 2001.

Relacionadas