Economia
Congelamento da tabela do IR prejudica mais classe m�dia
Rio de Janeiro ? A estratégia do governo de congelar a tabela do Imposto de Renda ? para garantir parte da arrecadação de 2004 ? prejudica de forma mais intensa a classe média. Estudo do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) mostra que a tabela de IR precisaria ser corrigida em 54% em 2004. Segundo simulação do instituto, os trabalhadores que ganham R$ 3.000 por mês pagam anualmente para a Receita Federal um adicional de Imposto de Renda de R$ 2.363,04 devido à não-correção da tabela. Essa mordida fiscal corresponde a 78,7% do salário mensal de quem recebe R$ 3.000. No entanto, a diferença é menor para os salários mais elevados. Esse é o caso de quem recebe R$ 15 mil por mês e que paga R$ 3.701,92 de IR para a Receita por mês. Se a tabela fosse corrigida, ele pagaria R$ 3.475 de imposto, ou seja, uma diferença de R$ 226,92 por mês. No ano, ele paga um adicional de IR de R$ 2,723,04, ou seja, 18,15% de seu salário mensal de R$ 15 mil. Segundo o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, essa distorção é provocada pela má distribuição da tabela de IR. Mais alíquotas. A tabela atual isenta do pagamento do IR os assalariados que recebem até R$ 1.058 por mês. Acima disso, existem duas alíquotas: de 15% e de 27,5%. Para quem recebe até R$ 2.115, a alíquota é de 15%. Acima dessa faixa, a alíquota é de 27,5%. Segundo Amaral, a criação de mais uma alíquota não será suficiente para promover justiça fiscal e social. ?Criar uma alíquota de 35% é apenas uma maneira de onerar quem ganha mais. Mas não promove nenhuma justiça fiscal. Para se ter uma tabela justa, do ponto de vista fiscal e social, precisaria se reestruturar todas as alíquotas?, afirmou o presidente do IBPT. Estudo feito pelo instituto mostra que o Brasil precisaria ter uma tabela com pelo menos sete alíquotas, saindo de 5% e chegando a 35%, para se criar um imposto de renda justo.