Economia
Alagoas ter� 46% na cota americana de a��car
EDIVALDO JUNIOR Depois de uma reunião tensa que durou 12 horas, saiu finalmente a decisão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) sobre a distribuição da cota americana para exportação de açúcar do Nordeste. O governo vai ratificar acordo fechado entre os representantes dos produtores da região. Mas o entendimento só aconteceu após intervenção do ministro Roberto Rodrigues. ?Decidimos ceder um pouco nosso reivindicação, atendendo pedido do ministro?, explicou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL), Pedro Robério Nogueira. Apesar de ceder sua posição, Alagoas conseguiu aumentar para 46% sua participação na cota ? antes era 44,7%. ?A participação do Estado, se levado em conta os critérios de produção, deveria ser de 54%. No entanto, decidimos atender o ministro e contribuímos para o fechamento do acordo, cedendo um pouco para aumentar o percentual dos outros estados do Nordeste?, disse o presidente do Sindaçúcar/AL. O acordo fechado essa semana só terá valor para a safra 03/04. A expectativa dos produtores é que, dentro de 60 dias, o Mapa defina uma política de distribuição da cota americana de açúcar. Entenda a cota Os Estados Unidos tem uma política diferenciada de importação de açúcar e estabelece cotas para alguns países. Em contrapartida, paga um preço maior pelo produto. Hoje, uma tonelada de açúcar da cota americana vale cerca de US$ 440, quase três vezes mais a cotação do produto no mercado internacional. No Brasil, o direito de exportar açúcar para os Estados Unidos, com isenção de tarifas, está resguardado na Lei 9.362/1996 e é exclusivo para os estados do Nordeste. Este ano, a cota americana para o Brasil é a mesma do ano passado ? exatas 152.691 toneladas métricas (pouco mais de 160 mil toneladas americanas). Com o novo percentual Alagoas vai exportar 70.237 toneladas ou 1.984 toneladas a mais do que o ano passado. O Estado de Pernambuco, que pedia uma maior participação na cota, teve sua parte reduzida de 43,1% para 41,14%. A decisão não agradou os produtores pernambucanos. ?Sugerimos que a distribuição fosse com base nas questões socioeconômicas, o que contemplaria a maior geração de emprego?, disse Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE. No acordo, prevaleceu a produção média dos últimos oito anos e os volumes de ATR (quantidade de açúcar na cana), o que fez Alagoas ficar na frente.