Economia
Alagoanos apostam no sonho de ganhar na loteria
FERNANDA MEDEIROS Em Alagoas, um Estado considerado pobre em termos de oportunidades de emprego e bons salários e onde as perspectivas de ?crescer na vida?, financeiramente, são pequenas ou quase não existem, as pessoas costumam sonhar com a chamada sorte grande no jogo, para melhorar de vida sem que seja necessário fazer muito esforço. Para a maioria, sobretudo quem não tem formação especializada ou sequer uma profissão definida, que lhe dê boa estabilidade financeira e uma vida estabilizada, sobra apenas o sonho ou a ilusão de ganhar na loteria e nos jogos afins, que para muitos são denominados ?jogos de azar?. O número de pessoas que fazem uma ?fezinha? nos jogos cresce gradativamente, apesar de as chances de se tornar ?o mais novo milionário do pedaço? serem muito pequenas. Mesmo assim, a luz no fim do túnel para muita gente parece indicar a porta de entrada de uma agência lotérica. Nos últimos três meses deste ano, foram arrecadados mais de R$ 5 milhões pelas loterias administradas pela Caixa Econômica Federal (CEF), segundo dados fornecidos pelo consultor de Loterias da CEF, em Alagoas, Silvério Rodrigues Teixeira. Ainda no último trimestre foram efetuadas mais de 3 milhões de apostas, no Estado. Já o valor total pago, em premiações, também no trimestre, chegou a mais de R$ 1,2 milhão. E tem gente que aposta em todos os tipos de loterias administradas pela Caixa: Loteria Federal, Loteria Instantânea (raspadinha), Quina, Mega Sena, Lotomania, Loteca, Dupla Sena, Lotogol e a mais nova, Loto Fácil, lançada em setembro. É o caso, por exemplo, do ?Seu? Abílio Marcelino dos Santos, 90, ex-comerciante, aposentado, que desde jovem sonha em ficar rico e deixar a riqueza como herança para a família. ?Hoje, eu não jogo para mim, mas para eles, pois um dia vou ficar rico e deixar a herança para meus familiares?, revela. O aposentado afirmou que começou jogando no jogo do bicho, depois passou para as demais modalidades de jogos. Revela que tem várias combinações de jogo e possui várias caixa cheias de volantes com as mais diversas combinações. ?Na Lotomania, escolho as dezenas por coluna, alternadas, por fila, e vou mudando, fazendo um tipo de rodízio. Tem também seqüências que repito várias vezes. Um dia eu acerto?, garante, acrescentando que na Loteca já ganhou três vezes, mas os prêmios foram pequenos. ?Na Lotomania ganhei apenas pouco mais de R$ 200,00?, afirma. Toda semana ele faz questão de jogar nas loterias da CEF, chegando a gastar cerca de R$ 120 a R$ 160 por mês. E a família que não se atreva a impedi-lo. ?O dinheiro é meu e gasto como quero. Se quero jogar, jogo. Minhas filhas e netos não têm que reclamar de nada, afinal, se eu ganhar, quando morrer vou deixar o dinheiro para eles?, finaliza. Números As maiores arrecadações nas loterias da Caixa são oferecidas pela Mega-Sena. Por isso são registrados números recordes de venda a cada nova extração. Para o concurso 504, por exemplo, o prêmio previsto foi de mais de R$ 1,4 milhão. ?Outro dado interessante sobre a Mega-Sena é que dos R$ 5 milhões arrecadados nos meses de julho, agosto e setembro, a Mega foi responsável por aproximadamente R$ 2 milhões, cerca de 40% do valor?, explica Silvério Rodrigues. Da arrecadação dos jogos no trimestre, em Alagoas, R$ 1,7 milhão foi destinado a áreas sociais do governo federal, como o Fundo Nacional de Cultura, Comitê Olímpico Brasileiro, Comitê Paraolímpico Brasileiro, Seguridade Social, Financiamento Estudantil (Fies) e Fundo Penitenciário Nacional. ?Isso significa que a cada bilhete adquirido (aposta efetuada), a pessoa está contribuindo nessa área?, explica, acrescentando que no Brasil, a expectativa é de que seja destinado R$ 1,7 bilhão para essas instituições, até o fim do ano.