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Pragas amea�am produ��o de coco em Alagoas

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Alagoas já foi o maior produtor de coco do País. Hoje, o Estado ocupa a 6ª colocação, com uma área de 15 mil hectares de coqueirais e produção anual de 80 milhões de fruto. Apesar da crise que afeta o setor, o presidente da Associação dos Produtores de Coco (Prococo), Eurico Uchôa, destaca a importância do setor para a economia do Estado. ?O setor emprega 60 mil pessoas, só ficando atrás do setor sucroalcooleiro em absorção de mão-de-obra?, observa. Dos 5.300 produtores de coco em Alagoas, 3.300 possuem menos de cinco hectares de terra. Segundo Uchôa, são estes produtores que mais precisam da assistência do governo, principalmente para o controle de pragas que assolam o coqueiral alagoano. ?Hoje, temos mais de 30 pragas de coqueiros, por isso é preciso uma ação do governo para prestar assistência aos produtores?. Eurico Uchôa adverte que o perigo de entrada de novas pragas, com o amarelo letal, aumenta diante da decisão do governo federal de revogar a Portaria nº 70, que determinava a obrigatoriedade de análise sobre a origem e a qualidade do coco comprado em outros países. Segundo Eurico, enquanto o fruto brasileiro para entrar em outros países tem de obedecer uma série de normas sanitárias, o coco estrangeiro entra no Brasil sem qualquer tipo de restrição. ?Está entrando coco no Brasil sem certificado de origem, principalmente pela fronteira da Argentina?. O presidente da Prococo faz uma previsão pessimista para o futuro, caso não sejam tomadas medidas para conter o avanço das pragas nos coqueirais alagoanos. ?Se não houver esforço para dar uma ajuda ao setor, dentro de 20 anos não haverá um coqueiral em Alagoas?. Mas as pragas não são o único motivo de preocupação para os produtores de coco. Há alguns anos, existiam apenas sete estados produtores de coco no Brasil, hoje são 18. Grande parte dos estados está investindo no coco irrigado, pois seu índice de produtividade é bem maior. Em Alagoas, apenas cinco produtores têm plantações irrigadas. A produção de coco seco em Alagoas abastece basicamente a Ceagesp, em São Paulo, e três fábricas de coco em Alagoas. Uchôa ressalta que o preço do coco também desestimula os produtores. O preço da unidade do fruto está variando entre R$ 0,28 e R$ 0,35, preços que não cobrem os custos. ?O custo total para produção é de R$ 0,35 por unidade?, lembra o presidente da Prococo. ?Historicamente, o preço do coco é de R$ 0,30?. No ano passado, quando o preço do fruto chegou a R$ 0,50, houve um aumento de dois mil hectares de área plantada com coqueiros em Alagoas. O problema, de acordo com Uchôa, é que a produção no Estado não está voltada para o coco verde, que tem um valor superior. ?Nossa produção é voltada para o coco seco, destinado a sobremesas. Nossos maiores compradores são as indústrias de chocolate?, observa. Com a baixa do preço do coco seco, essas indústrias vêm aumentando a quantidade do produto como recheio de chocolate. Uchôa acrescenta que o produtor enfrenta, ainda, outro problema: o custo de um trabalhador é muito mais alto do que em outros países, como a Indonésia. ?Enquanto na Indonésia, o custo por trabalhador é de US$ 30,00, no Brasil é de US$ 80,00, por causa da alta carga de contribuição social?. Um dos caminhos apontados para revitalizar a cultura do coco em Alagoas é tentar estimular seu uso na merenda escolar, pois possui ricos nutrientes. Ele reconhece, no entanto, que é preciso maior organização dos produtores do Estado para fortalecer o setor. ?O produtor precisa dizer o que quer?. Ele enfatiza, ainda, a necessidade de uma ação dos órgãos ligados ao turismo para revitalização dos coqueirais. ?Além da questão da produção, os coqueirais têm um efeito estético nas praias?, adverte Uchôa, afirmando que muitas áreas de coqueirais estão ficando desertas porque os produtores estão abandonando a atividade. ?Imagine se esses produtores começarem a fazer outro tipo de cultivo no Litoral, como ficará a paisagem litorânea??. Produto deve sofrer aumento no verão A chegada do verão traz a expectativa de aumento no preço de um dos produtos mais consumidos nesta época do ano: o coco verde. Durante a semana, o cento do preço do coco estava sendo vendido na Central de Abastecimento (Ceasa) entre R$ 30,00 e R$ 40,00. Mas os comerciantes acreditam que o preço do produto deve atingir o mesmo nível do praticado no verão do ano passado, quando o cento chegou a R$ 50,00. O proprietário de um restaurante em Cruz das Almas, Ednaldo Rodrigues, compra uma média de 700 cocos por mês. Ele diz já estar acostumado com o aumento do preço não só do coco, mas de outros produtos muito consumidos no verão, a exemplo do limão e do abacaxi. ?Todo ano é assim, quando chega o verão o preço do coco e de outros produtos sobe?. Com preço alto ou baixo, Ednaldo afirma que não pode ficar sem coco verde. ?Se a gente não tiver coco, não consegue vender nada?, argumenta. ?Uísque, por exemplo, ninguém quer tomar se não tiver água-de-coco?. O vendedor de coco Antônio Silva estava vendendo o cento, até a semana passada, a R$ 30,00 e a unidade por R$ 0,30. A mercadoria já tem comprador certo: hotéis, restaurantes e vendedores de coco verde na praia e no centro da cidade. A maior parte do coco vendida no mercado vem da região norte do Estado e até de municípios do Agreste, como Arapiraca, mas também começa chegar de outros estados como Pernambuco e Sergipe. O comerciante João Silva estava com uma carga de coco vinda de Arapiraca e vendia o cento por R$ 35,00. Ele confirmou a tendência de o preço do produto sofrer aumento, com a chegada do verão, quando a procura pelo coco aumenta, principalmente por parte de hotéis e restaurantes. No centro da cidade, o preço do coco verde é praticamente tabelado a R$ 0,50. Mas, na orla marítima, quem quiser matar a sede tomando água-de-coco tem de gastar um pouco mais, pois alguns ambulantes chegam a cobrar até R$ 0,75. (MFA)

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