Mercado de trabalho
TRABALHADORES DE AL VIVEM INCERTEZA COM NOVO CORONAVÍRUS
Profissionais se dividem entre apoiar isolamento social e voltar ao trabalho, uma vez que mercado deve mudar com novo cenário
Incerteza e medo têm pairado sobre milhares de alagoanos nas últimas semanas. Ao enfrentar a pandemia do novo coronavírus, a maioria dos trabalhadores viu, de modo repentino, as empresas em que trabalham serem obrigadas a interromper o funcionamento. O drama que era, até então, uma questão de saúde pública, começou a afetar a economia das famílias e, consequentemente, do País. Entre a cruz e a espada, o debate entre defensores do isolamento em prol da saúde e os que argumentam em favor dos empregos para evitar a fome tomou conta do Brasil.
O professor de história Luiz Henrique Oliveira teme pelo futuro. Com a esposa no início da gestação, ele não sabe como recuperar a renda sem que volte a dar aula. “Temos muitos pais que trabalham na informalidade, e com o isolamento social não conseguem sair para trabalhar. Sem conseguir renda não terão o dinheiro para pagar a escola na data do vencimento. Com isso a escola também não terá dinheiro para pagar os funcionários”, narra.
Ele afirma que este é um processo em cadeia que já afeta a vida de muita gente. “Até o momento estamos conseguindo passar por essa crise bem. Porém, os próximos meses ficam uma incógnita em relação aos nossos salários”, diz.
Uma pequena reserva financeira que tem, deve ser usada para pagar as contas, revela o professor. Mas o dinheiro não é suficiente para muito tempo, segundo ele. “Estamos economizando ainda mais nesse período. Essa pequena poupança vai dar para ajudar a pagar as contas caso a escola tenha problemas com o pagamento, porém, esse atraso não pode demorar muito”.
Como forma de prover algum recurso extra, Luiz Henrique Oliveira montou um grupo e leciona em um cursinho pré-vestibular online. “Durante a quarentena saímos apenas uma vez para fazer compras. O restante dos dias estou trabalhando em home office”, conta. Ele pondera que “vir aqui e dizer apenas: não saiam, quando tem pessoas passando fome devido à falta de dinheiro, é muito complicado”. O professor diz entender que o isolamento no caso dele é necessário pois a escola tem uma aglomeração muito grande, logo, precisa ainda estar em distanciamento social, trabalhando em casa. “Não quer dizer que depois que voltarmos a trabalhar não vamos adquirir o vírus. Porém, teremos um sistema de saúde mais preparado. Pelo menos é o que eu espero que durante o distanciamento social os órgãos do governo estejam fazendo”, cobra.
Recém casado, o auxiliar financeiro Kaique Lima diz que “poucos são os que respeitam realmente o isolamento. A maioria se engana e fica parte do dia em casa e sai na outra parte sem ser extrema a necessidade dessa saída”. Sobre o trabalho ele conta que continua na mesma sistemática, só que trabalhando em casa, mas sem nenhuma alteração dos protocolos, procedimentos e prazos. Ele conta que diante do cenário de incertezas, o pouco dinheiro que tinha guardado deve ser usado para alguma emergência. “Não guardei nada especificamente para essa crise de saúde, mas já tinha um pouco de reserva para outra finalidade que terei se for preciso de usar agora”.
O auxiliar financeiro diz acreditar que não está na hora de voltar à normalidade, e que o governo trouxe muitas opções para o empregador para garantir os empregos. “Na minha visão a volta não é primordial para garantir o emprego, uma vez que o empregador tem uma série de benefícios para utilizar para justamente evitar a demissão e colocar a culpa no fato de não estarem trabalhando nada ou não como antes. No momento a demissão deveria vir após a tentativa pelo menos de se encaixar em algumas das possibilidades dadas pelo executivo”.
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* Sob supervisão da editoria de Economia