Pandemia
CORONAVÍRUS: PEDIDOS DE SEGURO-DESEMPREGO CRESCEM 4.700% EM AL
Número se requisições do benefício via internet saltou de 38 em abril de 2019 para 1,82 mil este ano
A pandemia do novo coronavírus deixou 1.949 trabalhadores alagoanos demitidos sem justa causa na fila do seguro-desemprego somente na primeira quinzena deste mês, segundo dados divulgados nesta terça-feira (28), pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. Desse total, 93,5% dos pedidos - o equivalente a 1,82 mil - foram feitos via internet, uma vez que o decreto do governo de Alagoas proibiu o funcionamento de órgãos e serviços considerados não essenciais.
Para se ter uma ideia do que isso significa, na primeira quinzena de abril de 2019, o número de pedidos de seguro-desemprego feitos em alagoas via internet foi de 38 - que significa um aumento de 4.700% entre um período e outro.
Apesar da fila de pedidos do seguro-desemprego, o número total de seguro-desemprego feitos nos primeiros quinze dias de abril é 40,5% menor do que o volume registrado na primeira 15 de abril do ano passado, quando 3.280 trabalhadores alagoanos requereram o benefício.
Em todo o País, segundo os dados do governo federal, 267,6 mil trabalhadores aguardavam na fila a liberação do seguro-desemprego na primeira quinzena de abril. Apesar disso, o volume é 14% menor do que o registrado na primeira quinzena de abril do ano passado, segundo o órgão. Por enquanto, neste primeiro instante de crise, passado mais de um mês, não verificamos nenhuma explosão [nas demissões]”, disse o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys.
O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou, no entanto, que houve um represamento de 200 mil pedidos após o início da pandemia. “Temos uma pequena fila, de que estamos dando conta rapidamente. Essa demanda reprimida não passa de 200 mil em março e abril”, disse.
Se esse contingente fosse contabilizado, porém, haveria um adicional de 150 mil pedidos, relativos aos 45 dias do mês de março e da primeira quinzena de abril deste ano, em comparação ao mesmo período de 2019.
PREJUÍZO
Segundo o Ministério da Economia, a contabilização foi prejudicada pelo fechamento das unidades do Sine nos estados e municípios, levando a um represamento de requerimentos. A pasta estima que há 200 mil trabalhadores demitidos e aptos ao benefício que não conseguiram fazer o pedido. O governo ressalta que é possível solicitar o auxílio pela internet. Técnicos do governo trataram os dados como positivos. Na avaliação do Ministério da Economia, a alta nos pedidos, considerando o represamento, não é expressiva. Seria, principalmente, um sinal de que o programa de preservação de empregos funciona: cortes de jornadas e salários, propostos pelo governo por meio de MP (medida provisória), estariam preservando postos de trabalho. Desde o início do mês, já são mais de 4 milhões de trabalhadores com contrato suspenso ou salário e jornada reduzidos. A medida foi autorizada após a pandemia. No programa, o governo entra com uma compensação em dinheiro para esses trabalhadores atingidos. A pasta estima que as pessoas tiveram, em média, uma redução de 15% da remuneração, já considerando a compensação do governo. O represamento de seguro-desemprego cria uma nova fila de benefícios na gestão Jair Bolsonaro. Em outros episódios, foram represadas liberações do Bolsa Família, que agora o governo prometeu regularizar. Também há espera acima de prazos previstos em lei para benefícios previdenciários. As informações são da Folhapress.