Pandemia
VENDAS NO COMÉRCIO DE ALAGOAS CAEM QUASE 8% EM MARÇO, DIZ IBGE
Na comparação com fevereiro, a retração do setor no estado atingiu 7,9%, segundo levantamento
No mês em que o governo de Alagoas decretou o fechamento de serviços considerados não essenciais devido à pandemia de coronavírus, o comércio varejista de Alagoas - penalizado com a decisão governamental - registrou uma retração de 7,9% em março, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio divulgada nesta quarta-feira (13), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com fevereiro, quando o setor ainda funcionava no estado, a retração foi de 7,8%. Com isso, no primeiro trimestre do ano, o comércio varejista alagoano registra uma retração de 1,5%.
O levantamento do IBGE revela também que a receita nominal do setor de serviços de Alagoas recuou 4,1% em março, na comparação com igual mês de 2019, e caiu 6% na comparação com o mês anterior. No primeiro trimestre, o faturamento do comércio registra alta de 2,4%.
No varejo ampliado - que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção -, o setor alagoano registrou queda de 2,7% em março, ante março de 2019, e de 15,1% na comparação com fevereiro. No primeiro trimestre, o segmento ainda registra alta de 1,4%.
Já a receita nominal do varejo ampliado recuou 4,1% em março, na comparação com igual mês de 2019, e de 6% na comparação com fevereiro. No primeiro trimestre, há uma alta de 2,4%.
NACIONAL
Em todo o País, as vendas no comércio varejista recuaram 1,2% em relação a março de 2019, contra aumento de 4,7% em fevereiro. Foi a primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas nesta comparação. Segundo o IBGE, o isolamento social devido à pandemia teve impactos distintos. Seis das oito atividades pesquisadas registraram queda no volume de vendas do comércio varejista, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas em algumas cidades do país, a partir da segunda quinzena do mês. Apresentaram resultados negativos o segmentos de tecidos, vestuário e calçados, com uma retração de 42,2%, livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%), móveis e eletrodomésticos (-25,9%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%), combustíveis e lubrificantes (-12,5%). Em contrapartida, segmentos como hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram uma alta de 14,6%. Já artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos cresceram 1,3%. Atividades consideradas essenciais durante o período de quarentena, apresentaram avanço nas vendas frente a fevereiro de 2020. “Março foi bastante impactado pela estratégia de isolamento social adotada em algumas das cidades mais importantes e populosas a partir da segunda quinzena do mês. Essas cidades consideraram hiper e supermercados e produtos farmacêuticos como atividades essenciais, enquanto as demais tiveram as portas fechadas nos comércios de rua e nos centros comerciais”, disse o pesquisador do IBGE Cristiano Santos. Os artigos farmacêuticos e médicos também tiveram crescimento (1,3%). Santos destacou que a amplitude da variação foi grande em todas as oito atividades, tanto nas que recuaram quanto nas que subiram. "Isso demonstra claramente que a questão da pandemia e do isolamento social teve reflexo muito grande no mês de março." Os resultados de março foram impactados negativamente apenas no final do mês, quando foram iniciadas as restrições ao funcionamento de comércio e serviços. A expectativa é que em abril, com a maior parte dos estados já em isolamento durante todo o mês, os efeitos sejam ainda maiores. Na indústria, por exemplo, o nível de ociosidade atingiu um recorde no mês passado, registrando a queda mais rápida de série histórica pesquisada pelo Ibre/FGV. "É muito incerto. Não se deve fazer agora inferência sobre abril e maio", ponderou Santos. "Pode haver outros fenômenos envolvidos. Pode haver, por exemplo, aprendizado de outras atividades a vender por delivery." Na sexta (8), economistas ouvidos pelo Banco Central para a produção do boletim Focus reviram suas projeções para a retração do PIB de 2020, de 3,76% para 4,11%. O governo deve rever também a sua expectativa, para queda entre 4% e 5%. As informações são da Folhapress.