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DÍVIDAS COM MAIS DE 90 DIAS DE ATRASO CHEGAM A R$ 911 MI EM AL

Taxa de inadimplência dos alagoanos avançou 4,81% em março, segundo dados do Banco Central

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A taxa de inadimplência de Alagoas está acima da registrada na região Nordeste
A taxa de inadimplência de Alagoas está acima da registrada na região Nordeste -

A taxa de inadimplência das pessoas físicas em Alagoas aferida no último mês de março pelo Banco Central do Brasil chegou a marca de 4,81% e foi a maior desde outubro de 2016. Esta taxa se refere às dívidas com até 90 dias de atraso. Em comparação com o mesmo período do ano passado, quando ela era de 3,75%, o valor subiu 1,06 ponto percentual. Em relação ao mês anterior o crescimento foi de 0,4 ponto percentual. O valor aferido em Alagoas está acima do registrado na região Nordeste, que ficou em 4,63%, e acima do nacional que alcançou 3,9%.

Em março, o montante das dívidas dos alagoanos com até 90 dias de atraso chegou a R$ 911 milhões. O valor se refere à aplicação da taxa de 4,81% sobre o saldo das operações de crédito para pessoas físicas em Alagoas, que segundo o BC, chegou a R$ 18,95 bilhões.

De acordo com o economista Rômulo Sales, pode estar havendo uma correlação direta entre a elevação na taxa de inadimplência observada agora para o mês de março com a pandemia da Covid-19. Sales pondera que esse atraso pode ser devido a vários fatores, inclusive esquecimento, extravio de conta, ou até mesmo prioridade, ainda que temporária, de contas que devem ser pagas em detrimento de outras.

“Para pessoas físicas, entre pagar uma parcela do financiamento do carro, da casa e ter que pagar a conta de luz, aluguel ou fazer as compras do mês, essas últimas serão priorizadas. Logo, os financiamentos e empréstimos ficarão temporariamente em espera”, avalia.

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O cenário posto pelo economista se concretiza no lar da dona de casa Quitéria Silva. O esposo autônomo trabalha com venda de móveis de porta em porta e vê as vendas reduzirem diariamente, consequentemente a renda também diminuiu.

Ela diz que o momento em que a pandemia aconteceu foi ainda pior para a economia doméstica. “Não que tenha momento bom, até porque cada período do ano tem uma dívida específica, mas com as contas do começo do ano e, principalmente, os impostos, a gente coloca as outras contas no cartão de crédito na esperança de começar a pagar depois do carnaval, só que este ano após o carnaval veio a pandemia e o dinheiro de pagar o que foi colocado no ‘prego’ no começo do ano não veio”, conta.

A dona de casa explica que preferiu pagar em dinheiro o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e deixar o material escolar da filha de 10 anos para ser comprado no cartão de crédito, isso além de compras parceladas já do fim do ano passado. “Agora tô com o cartão de crédito estourado, sem perspectiva de pagamento”, desabafa.

Quitéria Silva concorda com a avaliação do economista sobre a priorização das contas. “Não vou deixar de fazer a feira para poder pagar cartão de crédito. Ou vou ficar de barriga vazia para ter o nome limpo?”, questiona.

O economista Rômulo Sales lembra ainda que este ano o trabalhador não teve aumento real do salário mínimo, “depois de ter vindo de um processo de 16 anos de valorização real do seu poder de compra em termos de salário mínimo. Isso contribui sobremaneira para o aumento da inadimplência”.

Cenário mais favorável se apresenta para as empresas em Alagoas. A taxa de inadimplência entre as pessoas jurídicas no estado ficou em 3,56% em março. O valor representa alta de 0,42 ponto percentual em relação ao mês anterior, mas é 0,86 ponto percentual menor que o registrado no mesmo período do ano passado.

Na avaliação de Sales, o processo de queda da taxa Selic, aliada às medidas de flexibilização das leis trabalhistas, pode estar contribuindo para um alívio no caixa e diminuindo o nível de inadimplências das empresas.

“Assim, elas podem estar dando prioridade a diminuir o passivo e aguardando o momento certo para a retomada dos investimentos e por conseguinte, poder pensar na retomada das contratações. Esse momento ideal, dada a enorme instabilidade conjuntural, só deverá acontecer quando o Estado, mais precisamente o governo federal, retomar sua política de elevação do investimento público, que para Alagoas, é crucial que isso aconteça o mais rápido possível”, explica.

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