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AL TEM MAIS DE 182 MIL PESSOAS EM REGIME DE TELETRABALHO, DIZ IPEA
Estudo “Potencial de teletrabalho na pandemia: retrato no Brasil e no mundo” diz que o regime é viável para 18,2% dos empregados
Um estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que Alagoas conta com 182.735 trabalhadores em regime de teletrabalho, ou seja, exercendo suas funções de casa. Este é o sexto menor número do País, e o segundo do Nordeste, maior apenas que Sergipe. Em todo o Brasil são 20.8 milhões de pessoas nessa situação.
O estudo intitulado “Potencial de teletrabalho na pandemia: um retrato no Brasil e no mundo” diz que este regime de trabalho é viável para 18,2% dos empregados em Alagoas. A taxa de viabilidade do teletrabalho aferida no estado é a sexta menor do Brasil, e a terceira do Nordeste, ficando à frente apenas do Piauí, com viabilidade de 15,6%, a menor do País, e Maranhão, com 17,5%. O Distrito Federal apresenta o maior percentual de potencial de teletrabalho, 31,6%. Em nível nacional, a taxa de viabilidade do teletrabalho é de 22,7%.
De acordo com o estudo, o grupo de profissionais das ciências e intelectuais possui o maior potencial de teletrabalho (65%), seguido por diretores e gerentes (61%), trabalhadores de apoio administrativo (41%) e técnicos e profissionais de nível médio (30%). “O estudo evidenciou que há uma correlação positiva entre o percentual de teletrabalho e a renda per capita dos estados brasileiros”, diz o trabalho. A renda per capita de Alagoas é a quarta pior do Brasil.
Em teletrabalho desde março, quando foi declarada a pandemia, a projetista de agronomia Débora Pimentel só vê vantagem na modalidade de trabalho. “Otimização do tempo, evita desgaste de condução, economia com passagem”, diz. Ela conta que não vê desvantagem.
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Já o servidor público Delane Barros, que atua no setor de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação de Maceió (Semed), diz acreditar ser pouco provável a concretização do teletrabalho no pós pandemia. “Considero que a maior dificuldade vem das pessoas que têm o contato com a tecnologia mas não tem o hábito de bem utilizá-la”, avalia.
Para ele, o fator positivo desta modalidade é o ambiente residencial, mas este também pode ser visto com negatividade. “ Já estamos acostumados, podemos ficar totalmente à vontade em relação às convenções sociais. O que pesa de forma negativa é o fato de que é praticamente impossível não misturar os assuntos do lar com os do trabalho”, diz.
Em Maceió, os servidores públicos estão em teletrabalho desde o dia 23 de março. A prefeitura não divulgou a quantidade exata da adesão à modalidade e afirmou que apenas os que exercem atividades essenciais, como as ligadas à segurança, que exercem as funções de modo presencial. Por vias digitais, seja pela internet ou telefone, os cidadãos têm acesso aos serviços dos órgãos. Os servidores estaduais operam em situação semelhante.
No Estado, o teletrabalho foi normatizado em 31 de março, e ficam de fora apenas os trabalhadores essenciais. De acordo com os pesquisadores do Ipea, constata-se que a incorporação de tecnologia e inovações relacionadas ao mercado de trabalho, depende, em grande parte, da renda e da intensificação de capital incorporado no processo produtivo. Dessa forma, ficaram evidenciadas as desigualdades regionais do Brasil. Os estudiosos dizem que as perspectivas da retomada das atividades econômicas após a pandemia devem levar em conta as novas modalidades de trabalho que emergiram de forma marcante no período de isolamento e que, muito provavelmente, serão mais utilizadas.