Pandemia
‘O SETOR PRIVADO NÃO AGUENTA MAIS FICAR FECHADO’, DIZ CARLOS LYRA
Industrial reconhece, no entanto, a relevância de se ter um planejamento para o retorno
Com segurança e disciplina das pessoas o consumo vai voltar de modo diferente. É no que acredita o presidente da Federação das Indústria de Alagoas, industrial José Calos Lyra. Ele disse compreender a ansiedade e a necessidade do retorno das atividades comerciais. Tanto que compreende a reação da categoria diante dos novos prazos estipulados pelo Governo do Estado. Entretanto, destacou a relevância de se ter um planejamento para o retorno.
"O setor privado não aguenta mais ficar fechado. Vai ter empresas que se continuarem fechadas não abrem mais. E aí, o desemprego? Você vai ter um remédio que vai matar mais que a doença, porque o desemprego já está causando suicídio, estresse e um monte de problemas pessoais das pessoas que estão isoladas e na iminência de perderem os seus empregos", afirmou Lyra.
Com o olhar macro para a economia, lembra que o ciclo de venda e consumo que foi interrompido tem desdobramentos na arrecadação dos estados e municípios, que caiu, mas que por consequência se afetar o emprego nestes setores aumenta também os números negativos, já que no setor terciário todos os empregos são de carteira assinada. "Nossa proposta é para que seja feita uma reabertura da economia, pautada e tomada as devidas medidas sanitárias, para que comece a economia voltar a evoluir e não tenhamos um desastre de desemprego e fechamento de empresas", pontuou..
CRISE
Quanto à crise econômica e a recessão decorrentes da pandemia são realidades com as quais os especialistas, os empresários do país inteiro têm se debruçado. A única certeza é uma mudança nas relações de consumo presencial, com aumento do comércio eletrônico e dos ambientes físicos. "É um ano atípico. Tenho 50 anos de formado e 73 de idade e nunca vi nada igual. Não passei pela 1° e 2° Guerras Mundiais e pode ser que tenham sido piores. Mas, de todas as crises que nós já passamos, nada tem nenhum parâmetro que se possa comparar com esse problema do Covid-19", analisou o industrial. Por isso, ele entende que a principal lição que pode ser tirada é de que todos têm a necessidade de trocar informações e experiências nos demais estados para se copiar e aplicar o que deu certo. Para José Carlos Lyra já existem iniciativas, nos estados que iniciaram anteriormente a flexibilização do isolamento social. Ele lembrou que esta realidade tem sido constatada nas unidades onde os gestores, desde o início optaram por tratar de modo diferenciado os pacientes no início da doença. E é com base em informações repassadas pelo próprio governo alagoano, que tem divulgado estruturas para o atendimento, que o industrial acredita que estão sendo criadas as condições para o retorno. "Eles aplicaram logo as medicações e não se deixou avançar tanto a doença para os quadros de UTI. O Mato Grosso do Sul escapou, o Paraná e Santa Catarina são exemplos que tomaram providências diferentes. E até mesmo aqui, agora, o governo já está fazendo isso com distribuição de medicamentos nos Centros de Síndromes Gripais para se evitar que a doença chegue até o hospital", disse o industrial ,de acordo com dados oficiais.
Até ontem pela manhã, quando recebeu a reportagem da Gazeta, ele confirmou de que foi avisado sobre a estrutura de hospital que vai ser inaugurado no interior para aumentar a oferta de leitos. Então, diante desta realidade e da tendência de "achatamento na curva de contágio", que ele defende a reabertura das atividades. Como a cadeia produtiva é algo vivo, a interrupção de uma das etapas, como o consumo tem reflexos que afetam também o setor produtivo, já que a regulação do que é feito depende da demanda. Deste modo, o presidente da Fiea acredita que é necessário um envolvimento de todos os setores desde a gestão, dos consumidores e também da Justiça para que entenda essas necessidades.
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