Pandemia
SOCIEDADE E CONSUMIDORES TÊM QUE SE SENTIR SEGUROS, DIZ ECONOMISTA
Cícero Péricles diz que ajuda federal deve ser mantida no 2º semestre até normalização da economia
Apesar de considerarem como positivo o anúncio de reabertura das atividades econômicas não essenciais, os empresários e economistas avaliam que as negociações sobre definições de protocolos e calendários chegaram atrasadas. Lembram que o Estado, desde março, mobilizou seus recursos humanos e materiais na frente sanitária para evitar a propagação da epidemia e o colapso da rede hospitalar. O setor privado, por sua vez, como Federação do Comércio, Associação Brasileira da Industria de Hotéis estiveram envolvidos com as questões de sobrevivência de cada segmento.
O processo de aproximação entre empresários e poder público na discussão de flexibilização dos setores fechados iniciou essa semana. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas, André Santos, apresentou aos associados, trade turístico e parceiros do setor público e privado o protocolo de boas práticas e medidas de segurança sanitária que será adotado pela hotelaria para a reabertura dos meios de hospedagem. Com cerca de 90% dos estabelecimentos fechados desde abril, a cadeia hoteleira do estado planeja o retorno das atividades a partir do próximo mês, quando a malha aérea começa a dar sinais de melhora.
Quase que simultaneamente, o governo de Alagoas divulgou os protocolos para a reabertura em cinco fases escalonadas: vermelha (de isolamento e de serviços essenciais, que atualmente o estado se encontra), laranja, amarela, verde e branca. Todas as etapas com regras sanitárias rígidas para reabertura.
A aproximação dos setores públicos e privados é vista também por economistas como o doutor da cadeira na Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles. Ao avaliar que a reabertura da economia deve levar em conta os interesses empresariais, principalmente daqueles que estão sufocados pelo longo período de fechamento das empresas, como os setores considerados não essenciais, do comércio e serviços. Deve, também, seguir as orientações do pessoal da saúde. “É importante que a sociedade, os clientes, consumidores se sintam seguros, com confiança no processo. A decisão de fechar os serviços não essenciais para se obter o isolamento social foi repentina. A volta será programada, escalonada, numa transição”, destacou Péricles. Para reduzir o impacto da recessão, Péricles lembrou que nesses três meses foi construída uma rede de medidas de proteção da renda das famílias, do emprego, das empresas e do financiamento de prefeituras e Estados, a maior parte negociada no o Congresso, com o apoio de governadores e prefeitos. “É essa rede que está dando a sensação de aparente normalidade na sociedade brasileira, mesmo com seus limites e restrições. Nos próximos meses, a manutenção dessa rede deverá ser a principal bandeira, tanto da representação empresarial como do mundo político”. O economista também defende que o Auxílio Emergencial, o Programa de Manutenção do Emprego, o Programa de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e outras iniciativas devem ser mantidas no segundo semestre até a normalização do ritmo econômico. O Banco Central do Brasil prevê retração de 6% da economia nacional este ano. Por sua vez, o Banco do Nordeste anunciou, na semana passada, a possibilidade de um retrocesso na economia nordestina de 7,2%. Como a economia alagoana se movimenta de forma muito próxima à economia nacional e regional, teremos um número negativo para a economia de Alagoas, disse Cícero Péricles. “O estado perdeu muito nos anos 2015-2016, anos de recessão. A partir de 2017, começou a reagir, mostrar sinais positivos e o PIB cresceu 3,3%, obtendo 1,5% em 2018 e com uma expectativa de 2,4% para 2019. Para 2020, é provável que fiquemos com uma taxa próxima da economia nordestina”. Isto significa mais empresas fechadas ou em recuperação judicial, mais desemprego, inadimplência e menor arrecadação de impostos ou seja, mais pobreza e mais desigualdade. Ao avaliar o ano, considerou o primeiro trimestre de 2020 positivo, mas de crescimento baixo. O segundo, será o mais difícil porque refletirá as medidas de isolamento social e o bloqueio de muitas atividades, como o comércio e serviços, que acumulam este ano taxas alta de queda nas vendas.