Emprego
APESAR DA PANDEMIA, 19 CIDADES DE ALAGOAS ABREM VAGAS DE TRABALHO
São José da Laje lidera o ranking, com a criação de 375 vagas formais em abril, aponta Caged
Em meio à pandemia de Covid-19, que fez o governo de Alagoas decretar isolamento social e a paralisação de serviços considerados não essenciais, 19 municípios do Estado abriram vagas formais de trabalho em abril, segundo levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério da Economia. De acordo com os dados, essas cidades geraram, juntas, 539 postos formais de trabalho.
São José da Laje, a 100 km de Maceió, lidera o ranking na criação de vagas com carteira assinada em abril, com a geração de 375 postos formais de trabalho - a diferença entre as 397 admissões e os 22 desligamentos no mês. O volume corresponde a um crescimento de 15,72% em relação a abril de 2019.
Vale ressaltar que o município é o 18º com o maior número de casos de Covid-19 do Estado, com 315 registros, segundo boletim divulgado nesta terça-feira (23), pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Até esta data, duas pessoas morreram vítima da doença na cidade.
O ranking da geração de empregos no Estado é seguido de São Sebastião, localizado no Agreste de Alagoas, com a criação de 22 vagas com carteira assinada em abril, um aumento de 1,90% em relação ao mesmo mês de 2019. O número de vagas no município é a diferença entre as 44 admissões e as duas demissões no período.
Em terceiro lugar aparece o município de Anadia, com a geração de 18 postos formais de trabalho, seguido de Junqueiro e Marimbondo (ambos com 17 vagas com carteira assinada, cada), Lagoa da Canoa (14) e Teotonio Vilela (14).
Como a Gazeta de Alagoas mostrou, na contramão do emprego aparece Maceió, o epicentro da epidemia de Covid-19. De acordo com os dados do Caged, o município fechou 3.608 postos de trabalho com carteira assinada em abril, uma retração de 1,90 em relação ao mesmo período do ano passado.
Em janeiro, quando Alagoas ainda não tinha registrado nenhum caso do novo coronavírus, o estoque do emprego formal em Maceió era de 190.293 vagas com carteira assinada. Em fevereiro, o município havia registrado a criação de 972 vagas formais - uma alta de 0,51% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Na esteira do fechamento de vagas, Coruripe aparece em segundo lugar, com a extinção de 1.581 postos formais de trabalho. O município - localizado no litoral Norte de Alagoas -, é o sexto incidência da Covid-19 no Estado, com 584 casos, conforme boletim da Sesau.
A lista de fechamento de postos de trabalho segue com Arapiraca, que extinguiu 491 vagas - o município registrou nesta segunda-feira 418 casos de Covid-19, o segundo maior número, atrás apenas da capital -, Marechal Deodoro, com o fechamento de 289 postos de trabalho - o município tem o terceiro maior registro da doença, com 300 casos - e São Miguel dos Campos, com a eliminação de 281 vagas formais.
Segundo o secretário Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, o resultado reflete os efeitos da pandemia da Covid-19 na economia brasileira. “É um número duro, que reflete a realidade de pandemia que vivemos, mas que traz algo positivo. Demostra que o Brasil está conseguindo preservar emprego e renda”, disse. No entanto, ele acrescenta que pelos mesmos motivos de pandemia, “não estamos conseguindo manter a contratação que mantínhamos outrora”.
ALAGOAS
Em todo o Estado, foram extintas 7.095 vagas formais de trabalho - a diferença entre as 2.760 contratações e as 9.855 demissões. Em termos percentuais, abril registrou um recuo de 2,12% em relação ao mesmo mês do ano passado. Vale ressaltar que em abril, as atividades econômicas consideradas não essenciais - como comércio e serviços - estavam proibidas de funcionar devido ao decreto do governo do Estado publicado em 16 de março, como forma de combater a crise do coronavírus. No acumulado do ano, Alagoas fechou 26.979 vagas formais de trabalho. O volume - medido pela diferença entre as 27.988 admissões e os 54.967 desligamentos - representa uma retração de 7,63% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho de Alagoas é o terceiro pior do Nordeste, à frente apenas de Pernambuco, que extinguiu 53,5 mil vagas com carteira assinada, e da Bahia, que fechou 37,5 mil postos formais de trabalho.