Economia
P�o de A��car quer comprar Bompre�o, mas sem leil�o
São Paulo - O Pão de Açúcar, maior varejista do país, continua interessado em comprar a rede de supermercados Bompreço, do grupo holandês Ahold, mas não está disposto a entrar em um leilão pelo ativo. ?É uma área do Brasil (a região Nordeste) em que gostaríamos de ter participação relevante?, disse o diretor de finanças e controladoria do Grupo Pão de Açúcar, Leonardo de Paiva Rocha, nesta terça-feira. ?Mas a companhia não entra em leilão, nunca trabalhamos dessa forma para aquisições?, completou. Menos de 10% das quase 500 lojas do Pão de Açúcar no país estão no Nordeste. Atualmente, o grupo está fortemente concentrado no Estado de São Paulo, onde estão mais de 370 unidades. Bompreço O Bompreço atua em nove Estados do Nordeste, com 119 lojas, e foi colocado à venda pelo Ahold no início deste ano, dentro do plano do grupo holandês de saída da América Latina. No Brasil, o Ahold também é dono da rede de supermercados G. Barbosa e da emissora de cartões de crédito Hipercard. Para a analista do Banco Brascan, Clarissa Saldanha, o fato de o Pão de Açúcar não estar disposto a entrar em um leilão é positivo, ?porque significa que eles não vão pagar qualquer preço?. Segundo ela, isso pode acalmar o mercado, que temia que o grupo do empresário Abílio Diniz pudesse pagar demais pela rede Bompreço. O preço máximo, estima a analista, seria 40 por cento das vendas líquidas anuais, ou o equivalente a cerca de 1,1 bilhão de reais pelo Bompreço e 281 milhões de reais pela G.Barbosa, com base no faturamento das empresas em 2002. ?(Se pagar) acima disso, acho que pode não ser muito bem visto pelo mercado?, comentou. Ofertas As ofertas pelo Bompreço foram entregues em setembro, mas fontes próximas ao negócio afirmaram que a demora na conclusão do processo é decorrente do valor oferecido pelos interessados, que teria ficado aquém do esperado. Além disso, uma liminar na Justiça de Sergipe que impede a venda em bloco do Bompreço e da G.Barbosa para um mesmo comprador seria outro empecilho. Questionado sobre o valor do Bompreço, Rocha disse que o preço pode aumentar ou diminuir, como acontece em qualquer negociação, mas que o Pão de Açúcar só aceita ?pagar o valor adequado?. Apesar de não fornecer outros detalhes, o executivo garantiu que o grupo continua no processo de compra do Bompreço, que consolidaria a posição do Pão de Açúcar no topo do ranking do varejo brasileiro. Também está na disputa o norte-americano Wal-Mart e não está claro se o francês Carrefour permanece no páreo. As empresas não comentam o assunto.