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Nº 5715
Economia

Analista ainda v� espa�o para uma redu��o maior dos juros

É menos simples do que parece. À primeira vista, quando o Banco Central (BC) projeta uma inflação para 2002 de 4,4%, mantido o juro básico no atual nível de 18,5%, parece que ele está dizendo que praticamente não há mais espaço para baixar a Selic (a taxa

Por | Edição do dia 31/03/2002 - Matéria atualizada em 31/03/2002 às 00h00

É menos simples do que parece. À primeira vista, quando o Banco Central (BC) projeta uma inflação para 2002 de 4,4%, mantido o juro básico no atual nível de 18,5%, parece que ele está dizendo que praticamente não há mais espaço para baixar a Selic (a taxa de juro básico da economia) durante este ano. Nas últimas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado foi primeiro surpreendido, em fevereiro, com a redução de 0,25% ponto percentual na taxa Selic, para depois ser frustrado, em março, com igual redução. As decisões deixam margem para interpretações de que os juros não vão mais cair. Afinal, na ata da última reunião do Copom, estava dito que o BC passou a “mirar” o intervalo entre 4% e 4,5% para o IPCA de 2002. Se com Selic de 18,5% já estamos indo para 4,4%, como baixar os juros sem risco de ficar acima daquele intervalo? Elson Teles, economista chefe do Banco Boreal, no Rio, é um dos que explicam por que não é bem assim. Ele prevê um corte de 0,25 ponto na Selic na próxima reunião do Copom, e um juro básico de 16% a 16,5% no fim do ano. Efeito A justificativa, diz Teles, é que há um componente na inflação chamado de “efeito primário de choque de oferta”. É a alta de preços que não é causada pelo aumento da demanda por esses bens e serviços. Um exemplo é a gasolina, que sobe porque aumentou o preço internacional do petróleo ou a cotação do dólar. Outros são as tarifas públicas, como energia, que aumentam junto com os indexadores contratuais. Só que, quando esses preços aumentam, há outros que vão junto - este é o chamado “efeito secundário” do choque de oferta, que o BC busca combater gradativamente (não precisa ser de um tranco só) com aumento do juro básico. Ao mexer na taxa de juros, o BC interfere na demanda da economia, e tenta controlar os preços por ela influenciados. Assim, como deixou claro nos seus recentes relatórios e atas, o BC não aumenta juro para combater saltos na inflação causados pelo efeito primário de choques de oferta. O tal intervalo de 4% a 4,5% que o BC estava “mirando” na última reunião do Copom era composto pela meta de inflação (3,5%), mais o efeito primário de vários choques de oferta (0,5 ponto) e mais um componente residual de efeito secundário a ser eliminado apenas em 2003. A grande diferença agora, explica Teles, é que o segundo daqueles componentes - o efeito primário - subiu, com a alta do preço dos combustíveis. O próprio BC deixou claro que a subida de 4% para 4,4% da estimativa de inflação em 2002, mantidos os juros atuais, foi principalmente por causa do aumento da gasolina - um típico caso de efeito primário de choque de oferta. Supondo que a alta de 0,4 ponto na projeção do BC foi causada por efeitos primários, e refazendo a conta acima, chega-se a uma inflação “mirada” entre 4,4% e 4,9% (ainda abaixo do teto de 5,5%). Assim, se a projeção atual é de 4,4%, ainda há espaço para cortes prudentes da Selic. Especialmente se, como revelou o BC, sua projeção de inflação para 2003 (mantidos os atuais juros), de 2,8%, está abaixo da meta de 3,25% para o ano que vem.

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