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Economia O maior receio de quem milita no setor econômico é que o cenário se agrave em Alagoas

COMPORTAMENTO DA PANDEMIA FAZ ALAGOAS FREAR RETOMADA

Quatro meses de medidas adotadas para conter o avanço da doença não evitam a contaminação de quase 60 mil pessoas

Por Nealdo | Edição do dia 01/08/2020 - Matéria atualizada em 31/07/2020 às 20h14

Enquanto outros estados do País seguiram um ritmo mais acelerado de reabertura da economia durante a pandemia, Alagoas pisou o pé no freio, sob a alegação, dada pelo poder público, de que o comportamento da Covid-19 ainda não dá tranquilidade para avançar na chamada flexibilização. Um fato é concreto: quatro meses de medidas adotadas com o objetivo de conter o avanço da doença não evitaram a contaminação de quase 60 mil pessoas e nem a morte de mais de 1.500. A tendência era a de que a cada decreto renovado, as regiões administrativas do Estado evoluíssem de etapas no Plano de Distanciamento Social Controlado. A permanência de Maceió na fase amarela por, no mínimo, mais duas semanas, acendeu o sinal de alerta aos que já estavam sentindo que a situação estava beirando a normalidade. Na semana que passou, o governador Renan Filho (MDB) avisou que a decisão de manter a capital sem alteração se deu pela visível atitude dos maceioenses em não cumprir as regras de isolamento e de proteção individual, como o uso de máscaras. O maior receio de quem milita no setor econômico é que o cenário se agrave e as autoridades de saúde recomendem a inflexão, o que poderia agravar a crise instalada desde o início da decretação do estado de calamidade pública. Só o fato de prorrogar as regras da fase amarela, em Maceió, já é encarado, pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), como um retardo da recuperação da economia. “Mesmo sendo importante esse avanço com a reabertura no interior do Estado, não vemos como positiva a manutenção de Maceió na Fase Amarela. Como praticamente 50% das empresas alagoanas estão situadas na capital, manter as restrições atuais acaba atrasando a recuperação da economia. E economia parada se reflete em desemprego”, defende Gilton Lima, presidente da Federação. Quanto ao interior, o diretor da entidade avalia que, apesar do avanço à fase laranja, o impacto econômico ainda não será suficiente para as empresas se reestruturarem. Na avaliação do economista Lucas Barros, o processo de recuperação da economia, mesmo com a abertura do comércio e serviços amplamente, será lento devido ao cenário de incerteza. Além disso, lembra que diversos postos de trabalhos foram perdidos antes e durante a pandemia, que teve consequências em todos os setores. E, conforme explica, uma vez que esses postos de trabalho deixam de existir, a situação não se normaliza de imediato.

“Muitas pequenas e micro-empresas fecharam e não houve nenhuma política por parte do governo federal, que tem mais condições de criar políticas públicas para salvar tanto essas empresas, quanto os postos de trabalho. Preferiu, por outro lado, injetar ainda mais recursos no sistema financeiro, com a disponibilização de cerca de 1,3 trilhão de reais, pelo Banco Central, para os bancos e corretoras logo no início da pandemia”, analisa.

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