Economia
Cana: faturamento deve cair mais de 30% em AL
Edivaldo Junior O presidente da Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool de Alagoas (CRPAAA), João Tenório, assume uma vaga no Senado, esta semana - ele substituirá Téo Vilela por quatro meses - com uma dura missão: defender a normalização do programa de equalização de custos da cana-de-açúcar. Conhecida como subsídio da cana, a equalização deveria repassar, anualmente, R$ 180 milhões aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste Os recursos previstos na Contribuição sobre a Intervenção do Domínio Econômico (Cide) cobriam as diferenças de custos de produção entre o Centro-Sul e o Nordeste, mas não são repassados há um ano e meio. A liberação desses recursos é vista, hoje, como a única saída, a curto prazo, para aliviar as dificuldades financeiras enfrentadas por fornecedores de cana e usinas. O aperto no setor é geral. A queda no faturamento da safra 03/04, iniciada em setembro, deve ficar acima dos 30% em relação à safra anterior. O setor sucroalcooleiro faturou cerca de R$ 1,9 bilhão na safra 02/03. E se o mercado mantiver o comportamento atual, o faturamento não passará dos R$ 1,3 bilhão. Serão R$ 600 milhões a menos circulando na economia de Alagoas ?Estamos esperando a reação do mercado, com o fim da safra do Centro-Sul, este mês. Se isso ocorrer, o faturamento do setor ficará entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,5 bilhão. Se não, chegará no máximo a R$ 1,3 bilhão ?, afirma João Tenório. A queda de faturamento decore da depressão de preços, tanto no mercado interno quanto no externo. Hoje, uma saca de açúcar de 50 kg custa entre R$ 25,00 e R$ 27,00. Há um ano, o mesmo produto valia entre R$ 40,00 e R$ 42,00. ?A equalização poderia ajudar, principalmente, os pequenos fornecedores de cana a atravessar esse período. Afora isso, só nos restará torcer pela melhoria do mercado?, aponta Tenório.