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Penit�ncia do benef�cio

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FÁTIMA ALMEIDA O trabalhador rural Amaro Elias da Silva mora da Aldeia Wassu Cocal, distante 18 quilômetros da área urbana de Joaquim Gomes, interior de Alagoas. É essa distância que ele percorre todos os meses para receber uma ajuda de R$ 45,00 do governo federal, referente à bolsa-escola de dois filhos menores, mais vale-gás. O que mais incomoda Amaro não é a distância, mas a resposta frequente na boca do caixa: ?Não tem dinheiro. Tem que esperar arrecadar?. Essa espera, segundo ele, às vezes demora o dia inteiro, e não é raro o beneficiado ter que voltar no sai seguinte. No último sábado, dia de pagamento do benefício, ele dirigiu-se ao posto de pagamento, um correspondente bancário que funciona em um supermercado local. Voltou de bolso vazio porque não tinha dinheiro e foi orientado a retornar ontem. ?A gente anda muito, porque precisa, mas acho que está errado. Tem gente que sai de casa às 4h e passa os dois horários na fila, sem comer nada. Chega a passar mal?, diz ele. A reclamação de Amaro é mais uma entre tantas que chegam com frequência aos veículos de comunicação. O correspondente bancário de Joaquim Gomes não é o único estabelecimento a registrar esse problema. O problema está espalhado por todo o interior, onde geralmente a alternativa de pagamento é única, diferente da capital, onde os caixas eletrônicos e agências da Caixa podem prestar esse serviço. Segundo o gerente de mercado da Caixa Econômica, Edson Holanda, às vezes acontece, mesmo de o correspondente não dispor do montante de recursos necessários para atender à demanda, tendo que esperar a arrecadação gerada por pagamentos de contas. ?Assim como o agente lotérico, ele pode buscar provimento de recursos na Caixa, mas alguns acham que não é necessário?, comenta. Mas uma parte das reclamações, segundo Edson, é improcedente. ?São pessoas que vão receber na data errada, ou esquecem de levar a senha?, explica. No caso de Joaquim Gomes ele promete fazer um acompanhamento para saber das dificuldades e tentar resolver. Edson destacou ainda que embora o número de beneficiários seja grande no interior, o calendário de pagamento foi diluído em 10 dias úteis para evitar transtornos como as grandes filas.

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