Emprego
UMA EM CADA QUATRO EMPRESAS DEMITIRAM NA PANDEMIA EM AL
Pesquisa revela que apenas 4% dos empresários contrataram funcionários com carteira assinada nos últimos dois meses
A cada quatro pequenas empresas em Alagoas, uma realizou demissões entre os meses de junho e julho devido à pandemia do novo coronavírus. Este é um dos resultados da pesquisa “O impacto da pandemia de coronavírus nos pequenos negócios” realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). O levantamento ouviu 97 empreendedores entre os dias 27 e 30 de julho.
Os números mostram que apenas 4% dos empresários disseram que contrataram funcionários com carteira assinada nos últimos dois meses. Além disso, 44% dos empreendedores participantes informaram que adotaram férias coletivas e 32% decidiram suspender contratos de trabalho, durante a pandemia.
Em Alagoas, 80% dos empresários entrevistados disseram que tiveram o faturamento mensal afetado em razão da pandemia. Além disso, 73% dos empreendedores participantes informaram que os negócios estão funcionando, mas com algumas adequações.
Entre os negócios que, apesar da crise, conseguiram aumentar o faturamento, 44% passaram a vender mais por meio de ferramentas digitais e 46% ampliaram a quantidade de entregas realizadas através do serviço de delivery.
Conforme os dados da pesquisa, 59% dos entrevistados já utilizavam redes sociais, como WhatsApp, Instagram e Facebook para vender produtos e serviços, mas, para 14% dos empresários, estas ferramentas passaram a ser utilizadas por causa da crise.
Ainda de acordo com o levantamento, 42% dos empreendedores participantes fizeram dívidas ou empréstimos e estão com o pagamento dessas obrigações financeiras atrasado. Além disso, 57% dos respondentes disseram que buscaram empréstimo, após o início da pandemia.
Dos 97 pequenos negócios que participaram da pesquisa em Alagoas, 4% atuam no setor da indústria, 44% no comércio, 50% no segmento de serviços, 1% no setor da agropecuária e 3% na construção civil. 27% das empresas participantes têm de 2 a 5 anos de atuação e 26% têm mais de dez anos de funcionamento. Para 43% dos negócios, a média mensal de faturamento seis meses antes do início da pandemia era de até R$ 6 mil.
Médica veterinária e proprietária de uma pequena rede de 3 unidades que incluem clínicas, hospital veterinário e pet shop, Fabrícia Omena foi uma destas empresárias que demitiu durante a pandemia. Ela conta que encerrou as atividades de uma unidade que havia sido inaugurada há seis meses. “Essa unidade ainda tava começando a caminhar. Inicialmente era para fechar temporariamente só porque não valia a pena manter aberta, então dei férias aos funcionários. Mas, com o decorrer do tempo, a gente viu que o fechamento foi se estendendo e decidi fechar definitivamente”, explica.
Segundo Omena, o principal dano que a crise provocou no negócio dela foi o medo da incerteza. “A gente não sabe como vai ser o dia de amanhã”, desabafa. Segundo ela, essa é a pior crise já enfrentada durante os noves anos que atua. “O meu receio é que o dinheiro para de circular, que as pessoas tenham que escolher entre comer e levar o animal para o veterinário”, revela.
De acordo com ela, algumas coisas ajudaram neste período. Um delas foi a entrega em domicílio e atendimento nesta modalidade. As vendas online também foram fundamentais, segundo Omena.