Economia
POPULAÇÃO AINDA ESTÁ RECEOSA PARA COMPRAR
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Para o economista Cícero Péricles, diversas razões contribuem para que a situação do comércio e do setor de serviços, no Estado, esteja longe do patamar registrado antes da pandemia. Segundo ele, a população está fazendo seus gastos de maneira semelhante ao período do mais intenso do isolamento social, comprando produtos básicos, como alimentos, remédios, material de higiene e limpeza e pagando as contas obrigatórias, como aluguel, água, luz, telefone e gás, conforme está evidenciado na pesquisa feita pela Sefaz.
“Também há um clima de incerteza na economia, principalmente relacionado aos empregos e à renda, tratados todos os dias no noticiário das TVs e rádios, impactando nas famílias, que ficam mais cautelosas e retraem o consumo. Além disso, tem o medo da Covid-19. Os dados da pandemia, ainda que estejam mais leves no Nordeste, continuam altos e isso diminui o movimento das pessoas, principalmente os dos grupos de risco, diminuindo o consumo. A retomada gerou um movimento maior no comércio e em outras atividades, mas o que se vê de movimento nas fotografias de jornais e imagens de TV não corresponde a receita nas empresas”, analisa o especialista.
Na previsão de Péricles, o quadro deve melhorar no último trimestre de 2020, a partir de outubro, quando, tradicionalmente, os setores mais importantes da economia começam a se movimentar de forma mais intensa.
“A construção civil acelera suas obras para entrega de final de ano, o turismo estará em um ritmo um pouco melhor pela chegada do verão e da alta estação e a safra da cana-de-açúcar tem início em setembro. Neste período, o comércio, apesar de todas as suas dificuldades, começa a projetar as vendas de Natal. Esse trimestre que atravessamos, de julho a setembro, será menos ruim que o anterior, que foi de abril a junho, mas ainda será de números negativos”, diz.
Ele concorda que o funcionamento da economia está se dando graças ao auxílio emergencial, que chega a um milhão de alagoanos, ao INSS – que paga a meio milhão de beneficiários da Previdência, às antecipações do FGTS e PIS/Pasep e ao Programa de Manutenção do Emprego e Renda, que já está cobrindo 150 mil contratos de trabalho, reduzidos em termos de jornada e de salário, mas que têm a garantia do posto do emprego.
“Nesta crise, se o governo estadual e as prefeituras pagarem em dia ao funcionalismo público e aos seus fornecedores e mantiverem em funcionamento o setor de saúde, enfrentando a pandemia, já estará de bom tamanho”, observa Péricles. TG