Economia
SISTEMA ANTIGO PROMETIA ATENDER 50% DA DEMANDA
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Com mais de 70 anos, o sistema Catolé-Cardoso prometia ser solução para atender pelo menos 50% das necessidades nos próximos 100 anos, se houvesse investimento para acompanhar o crescimento populacional. Porém, os investimentos feitos pelos governantes foram pífios. Tanto que a estação de tratamento do Cardoso agora precisa ser reconstruída porque a atual é considerada “exaurida”. O aqueduto de 12 quilômetros, de cimento, facilita furto de 15% da água bruta que segue para a estação de tratamento. Sem contar os prejuízos das tubulações furadas e a falta de modernização no sistema.
Apesar de ser antiga, a barragem do Catolé fornece água de de 'minação' subterrânea de “excelente” qualidade. Mas a área de proteção na reserva de Mata Atlântica que fica em volta da barragem sofre, além dos eternos vazamentos, com agressões ambientais e outras ameaças. A situação só não é pior porque no local está instalado o Batalhão Ambiental da Polícia Militar.
Os investimentos previstos para recuperar os sistemas de abastecimento de águas superficiais - Catolé, Pratagy, Saúde, barragem de Fernão Velho - e das 12 cidades da região metropolitana de Maceió - passam dos R$ 2,6 bilhões. Curiosamente, este é o mesmo valor que o Estado prevê de investimentos no processo de concessão da privatização na distribuição de água e do esgotamento sanitário, previsto para acontecer nos dias 29 e 30 de setembro.
A privatização da concessão dos serviços da Casal é duramente criticada por parlamentares estaduais, funcionários da empresa e consumidores. A maioria considera como “incompetência” do Estado não ter condições de gerir o sistema, que, segundo eles, deveria ser público.
Em pronunciamentos no plenário da Assembleia Legislativa, o deputado Inácio de Loyola (PDT) já fez duras críticas ao processo de privatização da concessão da distribuição da água. Como a maioria dos consumidores, avalia também que a “conta” ficará mais cara e penalizará os mais pobres. Destaca ainda que a crise no sistema foi gerada por gestões desastrosas e da falta de investimentos.
O Catolé deveria ser considerado estratégico pelo papel fundamental que exerce no atendimento ao Farol, Bebedouro e outras áreas da zona baixa da cidade. Curiosamente, são regiões com elevado número de reclamações dos consumidores. Apesar das inúmeras obras que se arrastam desde 2000 e engoliram verbas públicas milionárias, o sistema definha ano a ano, dizem antigos funcionários da autarquia e moradores da zona Sul, que reclamam que no verão ficam até uma semana sem água nas torneiras.
As obras de recuperação do sistema Catolé-Cardoso estão emperradas. Começam e param. O sistema abastece hoje 15% da área atendida pela Casal em Maceió, admite o presidente da empresa, Clécio Falcão. Produz, em média, 1.215 metros cúbicos de água por hora. O sistema, há mais de 30 anos, engole dinheiro público no projeto de reconstrução do aqueduto, recuperação de estações de tratamento, de elevatórias e não avança na melhoria da oferta. Também sofre com velhos problemas de furto de água no aqueduto, vazamentos no reservatório e em tubulações, tendo incapacidade de aumentar a oferta, revelam ex-presidentes da autarquia como Álvaro Menezes, Marcos Carnaúba e Abel Galindo.
A estação de tratamento do Cardoso é um dos exemplos. No governo anterior, recebeu investimentos milionários. Hoje, não consegue atender a um possível aumento de demanda e os técnicos e ex-gestores recomendam a reconstrução de um projeto mais novo.
As obras do sistema Catolé-Cardoso previam a recuperação dos pontos críticos, conforme o contrato nº 128/2002. Entre elas, a substituição do aqueduto Catolé-Cardoso, melhorias na estação de tratamento e estações elevatórias. A cada governo começam, param, têm contratos reajustados até chegar aos valores atuais de R$ 73,7 milhões, e tudo o que foi feito até agora está abandonado e nunca entrou em operação prática.