Benefício
MAIS DA METADE DOS ALAGOANOS USA O AUXÍLIO PARA SE ALIMENTAR
Percentual da população do Estado que conquistou o benefício é basicamente à média nacional, segundo levantamento
Mãe de um menino de cinco anos, Maria Marlene Oliveira, de 22 anos, mora sozinha com o filho em Maceió e conta apenas com o dinheiro do auxílio emergencial do governo federal para se manter. Após passar 14 dias em quarentena depois que foi diagnosticada com Covid-19, ela foi dispensada do restaurante em que trabalhava sem carteira assinada.
Com os R$ 600 que recebe, a jovem faz as compras do mês, paga aluguel e “escolhe outra conta para pagar”. Uma pesquisa realizada nos dias 11 e 12 deste mês e divulgada pelo instituto Datafolha, mostra que assim como no caso de Maria Marlene, o principal destino dado pelos brasileiros para o dinheiro do auxílio é a compra de alimentos. Esta foi a resposta de 53% do 2.065 entrevistados.
Outros 25% disseram que usam os recursos para pagar contas, 16% para pagar despesas da casa e 1% para comprar remédios. No caso das famílias que possuem menor renda, 61% utilizam o dinheiro do auxílio para compra de alimentos. Entre os desempregados esse índice é de 62%.
Maria Marlene conta que já ouviu muitas pessoas criticarem o benefício, principalmente o valor, mas diz que ele foi a “salvação” para ela. “Tem gente que diz que as pessoas vão deixar de trabalhar para viver com esse dinheiro. É aquele ditado da pimenta nos olhos dos outros, né? porque a gente compra o que comer, paga aluguel, a conta de água ou energia, e já não sobra nada”, revela.
Segundo a jovem desempregada, a pandemia piorou a situação da empregabilidade. “Em condições normais já era ruim, agora nem um bico dá pra encontrar mais, não chamam pra faxina. Esse dinheiro é pra sobreviver”, desabafa. Maria Marlene pontua que muita gente fala com discriminação acerca de quem recebe o auxílio emergencial. “Dizem que o povo usa pra comprar roupa ou besteira. Só se for quem não precisa, porque quem só tem isso pra sobreviver não compra nada além de comida”, relata.
Para o trabalhador informal Francisco Rocha, de 53 anos, o auxílio representou uma chance de comprar alguns produtos para revender, como pequenos móveis, para vender porta a porta e aumentar a renda. Recém separado, ele mora sozinho na casa de um irmão, o que faz com que os gastos com moradia e alimentação sejam menores. “Estava com uma mão na frente e outra atrás. O dinheiro foi um suspiro. Ajudo na casa do meu irmão, mas consigo comprar minha coisas, vender e me organizar para quando esse auxílio acabar”, relata.
Comerciante experiente, ele diz que o benefício é muito importante para a economia. “Muita gente que me compra paga com esse dinheiro. Finda que todo mundo gasta entre si e acaba se ajudando”, avalia.