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Brasil e EUA fecham acordo de “Alca Light”

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Miami - O texto da Declaração de Miami, base do que está sendo chamado de ?Alca light?, foi aprovado nesta quarta-feira. O anúncio foi feito em Miami pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ele classificou a decisão como uma ?vitória de todos?. ?Nós não viemos aqui para triunfar sobre ninguém. É uma vitória de todos.? O modelo defendido pelo Brasil prevê o que vem sendo chamado de Alca ?à la carte?, que traz apenas um cardápio mínimo de obrigações, permitindo que cada país tenha liberdade de escolher pontos adicionais para negociação de acordo com seus interesses. O texto reúne 34 parágrafos que vão determinar como serão as negociações para a criação da Alca nos próximos 12 meses. Negociação O Brasil e os Estados Unidos, líderes das negociações para criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), conseguiram vencer na quarta-feira as resistências do Chile, México e Canadá a um acordo flexível, segundo relatos de vários negociadores das reuniões da Alca em Miami. Os EUA e o Brasil, co-presidentes das negociacões que devem culminar com a criação da maior zona de livre comércio do mundo em 2005, propuseram em Miami dar à Alca um certo grau de flexibilidade. Assim, cada país poderia aumentar seu compromisso de liberalização mediante acordos bilaterais ou multilaterais. A fórmula de Brasília e Washington serviu para evitar a paralisia das negociações, já que a primeira recusava negociar questões defendidas pelos norte-americanos, como propriedade intelectual, liberalização dos serviços e compras de governo. Do outro lado, os EUA rejeitavam aceitar discutir no âmbito continental a redução dos seus subsídios agrícolas. Apesar disso, um grupo de vários países encabeçados por Chile, México e Canadá expressou sua discordância com a proposta e apresentou uma alternativa na qual a flexibilidade teria de cumprir um das duas condições: ou ser limitada por tempo, ou favorecer somente economias pequenas, o que excluiria o Brasil, a maior da América Latina. Isso mudou durante uma reunião que atravessou a noite de terça-feira e chegou até a manhã de quarta. Representantes dos três países aceitaram diante dos EUA, Brasil e Argentina a nova estruturação da Alca, um pacto de várias velocidades. Um diplomata sul-americano que pediu para não ser identificado disse que os três países dissidentes cederam quando os EUA fizeram uma afirmação contundente de que não aceitariam modificações em cinco parágrafos chaves da declaração final das reuniões, que será assinada pelos ministros dos 34 países na sexta-feira. Os parágrafos estabelecem que os países que decidam assiná-lo podem fechar benefícios e obrigações adicionais e que podem negociar pactos multilaterais dentro da Alca de acordo com as ambições de cada país.

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