Economia
Governo prorroga IPI menor para carro por 3 meses
Brasília - Após forte pressão das montadoras e dos sindicalistas, o governo decidiu prorrogar por mais três meses o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) reduzido em três pontos percentuais para o carro zero de até 2.000 cilindradas. A medida, que está em vigor desde agosto, foi implementada para evitar demissões no setor e deveria vigorar apenas até 30 de novembro. Para manter o benefício, as montadoras se comprometeram a não demitir nestes três meses. Também se comprometeram a manter a mesma tabela de preços até 31 de dezembro deste ano. As montadoras e sindicalistas do setor se reuniram ontem com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para tentar convencer o governo a prorrogar a medida. O próprio ministro Palocci chegou a sinalizar ontem, no Rio de Janeiro, que o governo não tinha a intenção de manter o IPI menor. O mesmo foi afirmado em São Paulo pelos ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Guido Mantega (Planejamento). Entre os argumentos para manter o IPI reduzido estava um estudo que mostrava que o incentivo fiscal não reduzia a arrecadação do governo federal. É que apesar do imposto recolhido por carro ser menor, a arrecadação total se manteve pois foram vendidos mais veículos. Até 29 de fevereiro - enquanto estiver em vigor o IPI menor - as montadoras, sindicalistas e o governo deverão definir uma política de planejamento industrial para o setor automotivo, com medidas de longo prazo. Entre as ações em estudo, estão a criação de um carro popular, com preço abaixo dos atuais veículos de mil cilindradas, inspeção veicular e um programa de renovação da frota. No último mês de vigência do IPI reduzido, as vendas de automóveis e comerciais leves estão maiores que as registradas em igual período de outubro. Números do mercado mostram que foram comercializadas, até a última terça-feira, 89,7 mil unidades, um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período de outubro. Para analistas do mercado, as vendas de novembro foram puxadas pela redução do IPI do carro zero, que entrou em vigor em agosto. Congelamento Apesar do incentivo fiscal ter sido estendido por mais três meses, o congelamento dos preços dos carros vai durar só mais um mês. A partir de janeiro, as montadoras estarão livres para alterar suas tabelas de preços. Em nota divulgada ontem a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) informa que as ?as montadoras se comprometem a manter os preços públicos dos veículos até 31 de dezembro de 2003, a partir de quando cada montadora, dentro de suas estratégias de mercado, poderá decidir sobre seus preços, em função da pressão de seus custos industriais, especialmente do recente dissídio dos trabalhadores metalúrgicos do setor?, informou a Anfavea.