Economia
De tanta �rvore, a gente n�o v� a floresta
EDIVALDO JUNIOR Imagine a cena: véspera de ano você está reunido com amigos e parentes esperando a ?hora da virada?. É inevitável ouvir declarações e mais declarações de planos para o ano-novo. ?Eu vou perder dez quilos?, diz uma. ?Não fumo mais?, declara o outro. ?Vou voltar a estudar?, afirma a outra. ?Vou montar um negócio próprio?, emenda o outro. E assim, noite afora, as promessas se repetem para serem esquecidas no máximo duas semanas depois. O que falta em casos como esse não é vontade ou necessidade real de realizar as metas anunciadas. Via de regra, falta ?colocar no papel? o ?que? e ?como? deve ser feito. A maioria das pessoas poderia resolver esse pequeno problema com o uso do planejamento estratégico. Com o uso dessa metodologia, as empresas estão conseguindo melhorar resultados e transformar sonhos e projetos em realidade. Como? A partir de um conceito simples. Na essência, toda a questão se resume a duas perguntas: ?Onde quero chegar?? e ?que recursos tenho disponíveis?. ?A estratégia passa, essencialmente pela resposta dessas duas questões?, aponta Noaldo Dantas, o mestre em engenharia eletrônica pela Universidade de Berlim e consultor de empresas nessa área há mais de 15 anos. Claro que à medida que as empresas vão fazendo o balanço de suas atividades, tentando descobrir a real situação em que se encontram, outros problemas vão sendo identificados. Noaldo Dantas aponta as principais ?culturas? que são identificadas nas empresas e que contribuem para atravancar o processo de crescimento: - Atitude passiva diante dos problemas (não sabe identificar como o problema surgiu), em vez de atitude proativa (sabe identificar a razão do problema e aponta a solução); - Prática do ?não erro? (o funcionário ou o empresário fica com tanto medo de errar, que só faz o que já sabe), no lugar da prática da criatividade e da ousadia (que embora admita erros, permite que sejam apresentadas novas estratégias e soluções que resultarão no crescimento da empresa); - Preocupação única com o ?curto prazo? (a empresa só busca soluções para demandas imediatas e, com a mudança da realidade, perde espaço e retroage) ao invés da visão de ?longo prazo? (a empresa se prepara para a realidade que virá pela frente e consegue aproveitar as oportunidades e crescer); - Tentativa de ser ?igual? as empresas líderes (o problema é que quando tudo fica igual a diferença é o preço e nesse caso os resultados podem não ser satisfatórios) no lugar da busca da diferença (as grandes empresas nascem, às vezes, de pequenas diferenças que conquistam o consumidor e o ideal é que essas diferenças sejam difíceis ou mesmo impossíveis de serem copiadas); - A economia de ?palitos? (empresas que se preocupam em cortar custos com migalhas) em substituição à estratégia econômica (que permite identificar os verdadeiros ?buracos? existentes nas empresas). Metodologia Em resumo, essas ?culturas? de empresas poderiam ser resumidas por um trocadilho citado por Noaldo Dantas. ?O que eu deveria fazer e não estou fazendo? E o que estou fazendo que não deveria fazer??. Identificar essas questões requer, segundo o consultor, de metodologia e ? de preferência ? de uma ajuda externa eficiente. ?Muitas empresas tentam definir internamente as suas estratégias. Mas nem sempre funciona. Isso porque dentro delas existe uma estrutura de poder. Num planejamento estratégico o trabalho de consultoria externa pode ajudar os colaboradores de uma empresa que ficam tolhidos diante do chefe a falar abertamente e apontar problemas e soluções. E quando o consultor vem de fora as pessoas ficam mais a vontade. E mais do que isso a avaliação externa além de ser isenta tem maior chance de ser absorvida pelo próprio empresários e seus colaboradores?, analisa Noaldo Dantas. Fazer planejamento estratégico não custa caro. ?Caro custa é não fazê-lo?, descontrai Noaldo Dantas. Normalmente o custo desse trabalho de consultoria é proporcional ao tamanho da empresa. ?Quem já fez planejamento tem obtido importantes resultados. É um trabalho que pode durar dias ou semanas, mas ao final deixa a empresa pronta para trabalhar com metas definidas e possíveis de serem alcançadas por um período de três a cinco anos. O ideal é fazer uma revisão anual?, explica. E para quem pensa em fazer um planejamento estratégico é bom saber que ?tamanho não é documento?. Noaldo Dantas, embora seja o mais reconhecido consultor da área em Alagoas ? sendo requisitado sempre por empresas do Centro-Sul para serviços de consultoria ? diz que tem trabalhado desde pequenas empresas, com sete funcionários até indústrias de grande porte, com mais de mil funcionários. ?Cada situação é diferente. Oferecemos soluções para as empresas que se adequam ã sua realidade?, afirma. O período de fim de ano é considerado ideal para o planejamento estratégico tanto das pessoas quanto das empresas. É um momento oportuno, em função do ?clima?, da predisposição que todos têm para fazer um ?balanço? dos erros e acertos do ano que termina e para estabelecer metas para o ano que começa. Mas, empresário ou não, que se dispõe a fazer planejamento estratégico, deve mudar de atitude. ?Quem só olha para o próprio umbigo não consegue ver o futuro?, resume Noaldo Dantas. Ele cita um provérbio alemão para exemplificar a necessidade das pessoas mudarem o jeito de olhar as cosias em sua volta: ?de tanta árvore a gente não vê a floresta? ou, na tradução do consultor, ?de tanto ver a gente não vê mais?.