Economia
Minist�rio da Agricultura vai criar Consecana NE
EDIVALDO JUNIOR O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) vai oficializar na próxima terça-feira, 9, a criação do Consecana Nordeste. O conselho será formado por representantes das indústrias do setor sucroalcooleiro e por representantes dos fornecedores de cana. E sua principal missão será definir a partir de critérios técnicos os preços da tonelada de cana nos estados da região. Na verdade, como faz questão de explicar o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool em Alagoas (Sindaçúcar/AL), Pedro Robério Nogueira, ?quem define o preço da cana é o mercado?. Segundo ele, o papel do Consecana será o de estabelecer critérios para a realização dos cálculos dos preços praticados no mercado. ?O Conselho é o aperfeiçoamento de uma política de preços que já vem sendo praticada pelo setor. Hoje, o preço da ATR é calculado a partir de informações das indústrias e dos fornecedores, com base no valor dos produtos finais no mercado. Esse cálculo é feito pela Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq), de São Paulo, que atualmente é a instituição com maior experiência nesse segmento no Brasil?, explicou Pedro Robério Nogueira. O presidente do Sindaçúcar/AL participa, ao lado do presidente da União Nordestina dos Plantadores de Cana (Unida), Edgar Antunes, da reunião da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool na sede do Mapa, na próxima terça-feira, quando o ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, deve assinar o ato de criação do Consecana. ?Apesar da crise de preços que estamos enfrentando, a criação do Consecana representa um grande avanço para o setor. É uma luta nossa e acredito que trará não só maior clareza para a política de preços da cana, mas também permitirá que o fornecedor proteja melhor seus interesses?, enfatizou. O Consecana Nordeste vai funcionar com representações diferentes em cada Estado. Assim, as decisões tomadas pelo grupo de Alagoas vão valer apenas para Alagoas. Pelo menos cinco estados, terão representações. Além de Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Entenda a ATR No Brasil, quem define o preço da cana-de-açúcar para o produtor é o mercado. Se o consumidor paga menos pelo açúcar ou pelo álcool numa ponta, na outra o valor da matéria-prima usada na fabricação desses produtos também perde valor. Esse sistema de pagamento é conhecido como Açúcar Total Recuperado (ATR) e é controlado através de acordos entre fornecedores e indústrias. A ATR é um indicador baseado em duas grandezas: o peso e o valor econômico. Numa, os técnicos analisam a cana que entra na usina, antes da moagem, para determinar quanto ela tem de ATR ? ou, no bom português, quantos quilos de açúcar ela será capaz de produzir por tonelada. Na outra, os técnicos calculam o valor da ATR em reais. O cálculo é feito a partir de levantamentos de preços dos produtos finais (açúcar, álcool e melaço) nos mercados interno e externo. Baseados em diferentes indicadores e num mix específico para cada região (proporção na produção de álcool ou açúcar) é determinado o preço. Em novembro, o valor líquido da ATR (descontados os impostos) em Alagoas ficou em R$ 0,2246. Para saber quanto vale uma tonelada de cana basta multiplicar a quantidade de ATR que a matéria-prima tem pelo valor do indicador. Em Alagoas a tonelada de cana-de-açúcar considerada padrão tem 114 quilos de ATR e está valendo hoje R$ 25,60. Na média, a produtividade da cana na safra 03/04 está em torno de 140 quilos de ATR por tonelada. Uma cana como essa está valendo, atualmente, R$ 31,44.