Economia
Pre�o do peru de Natal assusta consumidor
O peru de Natal, um dos pratos símbolo da ceia natalina, está em vias de perder o posto para o chester - ou o frango - este ano. O alto valor do quilo da ave tem assustado os consumidores. É que o preço subiu até 30% este ano. O peito de peru também está caro. A rigor, todos os produtos derivados do peru estão mais caros, bem acima da média do poder aquisitivo da população. E quais as razões disso, uma vez que o Brasil é um dos países que mais produzem aves no mundo? Segundo os produtores, as exportações estão forçando a alta dos preços. Para atender ao mercado externo, precisaram diminuir a oferta no País. O presidente da Associação dos Supermercados, Raimundo Barreto, aposta nos consumidores mais conservadores para manter a venda do peru. Ele afirma que, quem pesquisa, pode economizar de 10% a 20%, de acordo com a marca do produto. ?A preferência é do cliente?. Barreto afirmou ainda que não faltará peru e chester para o alagoano, porque os supermercados estão bem abastecidos. Ele avalia como positiva a postura do consumidor que está comprando após realizar pesquisa. ?Os clientes devem procurar produtos similares e, de acordo com as suas possibilidades, montar a sua ceia de Natal?, explicou. É o caso da médica Celeste Guerreiro, que não descarta a possibilidade de ter o chester como prato principal da sua ceia de Natal. ?Tem peru custando R$ 92?, ressaltou. Segundo Celeste, o segredo para economizar é pesquisar bem os preços, antes de comprar. Historicamente, o chester sempre foi a segunda opção, mas, apesar de custar em média a metade do preço do peru, também está mais caro: alta de quase 10%, segundo a Fipe. E aí surge outra tentativa para um cardápio mais em conta: um pernil ou um frango comum. Mas ainda assim está difícil fugir dos aumentos neste Natal. O preço do frango também disparou: 34% a mais. Também o pernil não vai dar alívio para o consumidor: alta é de mais de 28%. Os primeiros relatos históricos sobre o peru datam da época do descobrimento da América. Cristóvão Colombo conheceu a ave quando chegou ao continente novo, mas acreditando ter chegado às Índias por um novo caminho. Por conta disso, o peru ficou conhecido na Itália como gallo d?Índia (ou dindio/dindo); na França, como coq d?Índe ou dinde; e na Alemanha, como calecutischerhahn, numa referência a Calcutá. Por seu ótimo sabor, foi de imediato aceito na Europa. De tanto sucesso, em 1549, foi oferecido à rainha Catarina de Médicis, em Paris. No banquete foram servidos cem aves (70 ?galinhas da Índia? e 30 ?galos da Índia?). Era tão apreciado que se tornou o símbolo de alimento das grandes ocasiões. Nos Estados Unidos, o peru representou o fim da fome dos primeiros colonos ingleses que lá chegaram, e hoje é prato obrigatório no Thanksgiving, ou Festa de Ação de Graças. No Brasil a ave é apreciada desde a época colonial. Na mesa natalina Nos Estados Unidos, muitos antes da chegada dos ingleses, os índios criavam perus. Depois que os colonizadores chegaram para comemorar a primeira grande colheita de produtos cultivados, os índios serviram peru. A partir de então, criou-se o hábito de comer essa ave em comemorações. O peru foi introduzido no Brasil pelo catarinense Atílio Fontana, fundador da Sadia. E o hábito de comer peru no Natal foi influência da cultura americana.