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Corte de um ponto dos juros frustra empres�rios

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Brasília ? O Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) foi conservador e decidiu, no final da tarde de ontem, cortar a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em apenas um ponto percentual, para 16,5% ao ano. Trata-se da sétima queda de juros consecutiva nos últimos sete meses e da menor taxa desde maio de 2001. Apesar de esperada por boa parte dos analistas de mercado, a decisão desagrada aos empresários. O presidente da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), Armando Monteiro Neto, havia dito, ontem, que o corte de um ponto seria ?uma grande frustração?. A justificativa do Copom para o corte conservador de juros, entretanto, poderá ser um alento no futuro. Ao contrário das últimas reuniões em que decepcionou os empresários, o Copom citou desta vez não o temor da volta da inflação, como de costume, mas o início da recuperação da economia. ?Tendo em vista a convergência da inflação para a trajetória das metas e as perspectivas favoráveis para a evolução da atividade econômica, o Copom decidiu, por unanimidade, fixar a taxa Selic em 16,5% ao ano, sem viés?, informou o Copom, em nota. A recuperação da economia pode impedir movimentos mais ousados em relação à política monetária do Copom porque cria a possibilidade de um aumento da demanda, que acabaria levando a um aumento de preços caso não haja oferta para atendê-la. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles alertou algumas vezes nas últimas semanas que evitaria uma ?bolha de crescimento?. Ou seja, não baixaria os juros demais, gerando um ?choque de demanda? que obrigaria o BC a novamente aumentar os juros no futuro e voltaria a inibir o crescimento. Os dados econômicos divulgados até o momento, no entanto, ainda não mostram a ?evolução da atividade econômica? citada pelo Copom. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas por um país) cresceu só 0,4% no terceiro trimestre em relação ao segundo. Todas as previsões, inclusive as do próprio governo e do FMI (Fundo Monetário Internacional), apontam para um crescimento próximo de zero neste ano. Além disso, ainda há dúvidas sobre o fôlego da leve recuperação detectada nos últimos meses. A produção industrial do país recuou em outubro, após se recuperar nos meses anteriores. Um último fator que torna a decisão do Copom frustrante são os dados de inflação, que mostram que os preços estão sob controle e poderiam dar espaço para uma atitude mais ousada sem que houvesse risco de um aquecimento da demanda superior à capacidade do setor produtivo. De acordo com o IBGE, o IPCA (índice que serve de base para o cálculo das metas de inflação) ficou em 0,34% em novembro.

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