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Finanças públicas

BC: DÍVIDA DO BRASIL SÓ ESTÁ ATRÁS DE 2 PAÍSES

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Brasília, DF – O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o risco gerado pelo nível atual da dívida pública dos países emergentes é duas vezes e meia maior que na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). O titular da autoridade monetária participou de evento virtual promovido pelo instituto ProPague nesta quinta-feira (5). Em sua apresentação, ele mostrou um gráfico que comparava o patamar da dívida desde 1880. "Estamos um pouco acima da Segunda Guerra Mundial. Mas há um erro fundamental em observar esse número sob o aspecto nominal e não sob o risco que isso gera no sistema", disse. "A dívida nominal muito grande com taxas de juros muito baixas gera risco maior. Se fossemos olhar esse gráfico pelo value at risk [risco] em vez do nominal, estaria quase duas vezes e meio acima da Segunda Guerra", completou. Segundo Campos Neto, esse efeito pode gerar pobreza e travar o crescimento da atividade econômica, em um ciclo vicioso."O mundo começa a melhorar, os juros sobem e criam um efeito pobreza tão grande que cancela o crescimento antes de ele nascer. Podemos entrar em um ciclo vicioso nesse sentido", ponderou o presidente do BC. Na comparação com outros países emergentes, ele pontuou que o Brasil só está atrás da Angola e da Líbia. "Já começamos [a pandemia] em um patamar ruim [da dívida]", ressaltou. Os gastos com medidas para fazer frente à pandemia do novo coronavírus levaram a dívida bruta a novo recorde em setembro, alcançando 90,6% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo dados do BC. Depois da chegada do vírus ao país, o governo teve que gastar mais em programas emergenciais, como o auxílio aos mais pobres e linhas de crédito para empresas. Com isso, até o fim do ano, a dívida pode chegar próximo a 100% do PIB. "Olhando para o câmbio, países que apresentaram fragilidade fiscal maior tiveram desvalorização maior da moeda", disse, em referência ao processo de corrosão do Real durante a crise.

POLÍTICA FISCAL

Sobre a política fiscal, Campos Neto reforçou que o BC vai reavaliar o compromisso de não subir juros, em instrumento de política monetária chamado de "forward guidance", ou prescrição futura, mesmo com o teto de gastos mantido, caso haja manobras para aumentar gastos e piorar a dívida. "Vimos rapidamente existiam formas de estar dentro do teto piorando a trajetória da dívida lá na frente. Qualquer forma de gerar gasto recorrente e permanente, adiando, por exemplo, pagamento de dívidas, é uma forma de dizer, 'vou ficar dentro do teto', mas piorando a trajetória da dívida", explicou. Sobre a autonomia do BC, aprovada no Senado na última terça-feira (3), Campos Neto afirmou que é uma tendência em outros bancos centrais olhar para o mercado de trabalho, especialmente voltado para minorias.

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