Economia
In�cio de 2004 dever� ter onda de reajustes
O consumidor pode preparar o bolso em 2004 para novos aumentos de preços que estão a caminho, aproveitando a onda de alta do consumo. Fabricantes de bens duráveis, como aparelhos de imagem e som, por exemplo, anunciaram ontem que pretendem aumentar entre 6% e 8% os produtos a partir do dia 1º de janeiro. A indústria automobilística promete reajustes entre 3% e 5%, em média. ?São inúmeros os aumentos que tornam inviável manter preços dos aparelhos de imagem e som?, diz o presidente da Eletros, associação que reúne a indústria eletroeletrônica, Paulo Saab. Ele aponta o dissídio da mão-de-obra em cerca de 18%, custos de energia elétrica e matérias-primas, além da nova alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de 7,6% que entra em vigor em fevereiro. Percentuais A CSN e a Usiminas já comunicaram aos clientes que vão aumentar entre 10% e 15% vários tipos de aço após o Natal para os fabricantes de eletroeletrônicos e, em janeiro, para a indústria automobilística. Segundo o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, o reajuste reflete a alta geral de custos das siderúrgicas. ?Tivemos aumento de frete, carvão e, principalmente, do coque?, justifica. A Usiminas não comenta o assunto. Fabricantes Os fabricantes de veículos tentam barrar o aumento do aço e preparam um documento conjunto com outros setores para mostrar ao governo o impacto na produção industrial. ?Esperamos bom senso por parte das siderúrgicas?, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ricardo Carvalho. O setor já havia programado para janeiro reajustes médios de 3% a 5% para os carros. Se tiver de pagar mais 10% a 15% às usinas, o índice terá de ser maior. A indústria de resinas plásticas Braskem é outra que decidiu aumentar em 12% o polietileno e em 15% o polipropileno a partir de janeiro. A Braskem confirma os percentuais, mas não comenta os motivos da alta. A pressão por aumentos se repete em dois outros setores: no cobre e no papelão ondulado. Outros A Comotec, de Limeira (SP), que produz comutadores de cobre, para motores elétricos, já comunicou aos clientes aumento de 8% a 10%. ?Vamos ter de repassar aumentos de custos?, diz o diretor-comercial, Osmar Marques Mendes. Ele explica que o reajuste é resultado do aumento da cotação do cobre, que subiu cerca de 40% no mercado internacional em 12 meses e do dissídio da ordem de 16% a 17% dos trabalhadores do setor. Papelão No caso do papelão ondulado, os produtores de caixas também planejam aumentos. O presidente da Papelão São Roberto, Roberto Jeha, diz que haveria necessidade de aumentar em 15% os preços por conta das pressões de custos de energia elétrica e gás natural, mão-de-obra, além da forte elevação de custos fixos ao longo deste ano, em razão da redução de 12% no volume de produção em 2003 sobre o ano anterior.